“Embrulha Messi”. A frase espalhou-se por todo o lado, logo após a vitória de Portugal sobre a Suécia – provavelmente o melhor jogo da equipa de Paulo Bento durante toda a qualificação -, como se o jogador do Barcelona tivesse relação directa com aquele resultado. A Argentina, ao contrário da nossa selecção, há muito que está apurada para o mundial do Brasil. O Messi já está lá e nós ainda vamos ter de sofrer mais na terça-feira.

Este foi só mais um dos gritos irracionais da já longa guerra das bolas de ouro e outros troféus que a comunicação social, da bola e da outra, que tem de vender jornais e tempo de publicidade, vai alimentando. E o Povo, que nestas coisas do futebol se comporta como os malucos que discutem quem vai ganhar a ‘Casa dos Segredos’, vai embarcando na conversa.

Mal acabou um jogo em que Portugal mostrou, finalmente, que até merece estar no mundial e foi superior aos suecos, o importante parece que era mandar o ‘recado’ a quem nunca se meteu nestas coisas: o Messi. Nisso, é muito mais inteligente do que a grande maioria dos portugueses.

Saber quem é o melhor do mundo, o segundo melhor – para Valdano é o Messi lesionado… - ou o vigésimo terceiro, é conversa para entreter, porque não tem qualquer efeito prático.

Parece óbvio que os adeptos do futebol deveriam era estar satisfeitos por ter, na mesma geração e a jogar nos clubes de topo, Cristiano Ronaldo, Messi, Ribery, Ibrahimovic, Iniesta, Bale… uma constelação que não tem paralelo nas últimas décadas.

E nós temos um dos dois melhores do mundo, para metade dos adeptos o melhor. Um grande orgulho, uma projecção única para um país e para uma Região – e para a freguesia de Santo António, não esquecer – mas que não deveria levar a guerras e frases ridículas que só interessam a agentes e patrocinadores.

Por muito que torça pelo Cristiano Ronaldo – recuso-me a utilizar a ridícula sigla CR7 – e tenha orgulho em que seja um ‘rapaz da minha freguesia’, a simpatia fica por aí. Desde logo, gosto de vê-lo jogar, mas nunca consegui apoiar o Real. Por outro lado, comprar as mágoas de quem ganha uns obscenos 17 milhões (ou mais) ao ano, parece-me, no mínimo, estúpido. Ele sabe tratar tomar conta de si e certamente não precisa que chorem por ele.

Messi, Ronaldo, ou outro, tanto dá, é preciso é que joguem e justifiquem o que recebem, mesmo que isso seja humanamente impossível, num mundo em crise com uma multidão de pobres que têm muito mais com que se preocupar.