Com a apresentação da minha candidatura à liderança do PSD/M propus um pacto de confiança com os Madeirenses e Porto-Santenses, assente em cinco pilares: (1) numa forma diferente de estar na política, (2) numa reforma profunda do PSD e do sistema político regional, (3) numa parceria estratégica com a República (4) numa rede reforçada de combate à pobreza e de apoio social aos mais carenciados e (5) numa visão do futuro da Madeira como Região inteligente, atrativa, inovadora, sustentável, competitiva e solidária, que permita construir um caminho de esperança, que proporcione condições para criar emprego e trabalho, melhorar a qualidade de vida e assegurar maior prosperidade para todos.
Estou convicto que este Pacto de Confiança é o melhor instrumento para estancar e inverter a separação crescente dos cidadãos face ao PSD/M, mas também face ao sistema político regional e à própria autonomia política democrática.
Com este escrito, concretizo e desenvolvo 6 ideias sobre o que defendo ser a necessidade imperiosa de uma forma diferente de estar na política:
1- Na relação entre eleitos e eleitores é preciso mais verdade, mais transparência e mais humildade democrática. Logo menos demagogia, menos opacidade e menos arrogância. E claro, menos promessas que face ao choque com a realidade (sempre mal avaliada) são logo substituídas pelo seu contrário. Promete-se por exemplo baixar os impostos mas o que nos é dado é um aumento dos impostos. A cidadania está saturada desta prática irresponsável. A política não pode ser uma feira de ilusões.
2-Nós os políticos porque estamos investidos dum mandato popular ou a ele aspiramos, temos o particular dever de dar o exemplo. Esta liderança pelo exemplo é crucial em tempos caracterizados por uma austeridade tão severa. É necessária uma ética de austeridade que poupe os mais desfavorecidos, que proceda a uma distribuição igualitária dos sacrifícios e que faça com que toda a despesa pública esteja em coerência com as dificuldades que são sentidas pela sociedade.
3-Urge uma verdadeira cultura de rigor e responsabilidade orçamental em torno da máxima de que o dinheiro dos contribuintes é dinheiro sagrado. Todo o cêntimo tem de ser bem gasto e a despesa pública a que dá lugar bem avaliada em termos do seu impacto económico e social. È um absurdo que sendo esta a terceira vez que na breve história da democracia portuguesa estivemos à beira da bancarrota ainda não tenhamos aprendido com os erros cometidos no passado.
4-As empresas e os grupos económicos são absolutamente decisivos para a prossecução do bem comum, já que são os instrumentos privilegiados de criação de riqueza e emprego. A relação do sector público com a iniciativa privada tem de ser de parceria e cooperação, assegurando em primeiro lugar uma sã concorrência e tratando todos os agentes económicos em condições de estrita igualdade, sem proteccionismos de quem quer que seja.
5-Os cidadãos têm muitas vezes a perceção de que em política vale tudo. A política não pode ser um ambiente em que predomina a lei da selva.
É imperioso agir em consonância com um quadro de valores (verdade, honradez, sensatez, integridade, decência, autenticidade, saber ganhar e saber perder).
Uma vertente ética é necessária e em especial a sua regra de ouro: os fins não justificam todos os meios.
6-Por fim, não nos devemos nunca esquecer que a política é a atividade mais nobre e que tem de ser sempre exercida com espírito de missão e de serviço ao bem comum, tendo por valor supremo o respeito e a defesa da dignidade da pessoa humana. Uma postura humanista e de grande proximidade às pessoas torna-se em tempos difíceis uma exigência ainda mais premente.
Em conclusão, deixei-vos aqui alguns princípios de deontologia “profissional” de que não abdicarei.
Sérgio Marques