O orçamento de Estado para 2014 está aí, os números do crime tomam a forma de páginas de tecnicidade contabilística que o governo, em horário nobre televisivo, vem explicar (ao jeito de“ O Orçamento de Estado de 2014 para Totós”) os itens principais das medidas assassinas que reduzirão 900 milhões de euros em prestações sociais, reforçarão a “conta poupança” dos exorbitantes e impagáveis juros à troika à custa dos salários dos trabalhadores do Estado e continuarão a retirar milhões à Saúde e à Educação para entregar às máfias de que são os padrinhos, das Parcerias Público Privadas. É fácil adivinhar que os 488 mil postos de trabalho que prevêem perder, serão bem mais ou não fosse a criação de desemprego a arma mais poderosa para controle das massas. E tudo para não recuar (palavras de Maria Luís Albuquerque) na “fantástica” queda livre para o abismo da miséria e da fome para onde já foram empurrados mais de dois milhões de portugueses.

Não são nem incompetentes, nem tolos, sabem perfeitamente o que andam a fazer e cumprem, escrupulosamente, o plano ideológico para que foram mandatados: impor um modelo de sociedade assente sobre a exploração do trabalho precário e barato, profundamente desigual e violento.

Os portugueses andam atordoados à espera do milagre que não acontece, os “D. Sebastiões” nunca chegarão e no atoleiro das manhãs de nevoeiro, acordamos todos os dias para dar de cara com mais medidas que nos esmagam sem piedade.

Quando vamos reagir? Ao protesto nas ruas e à exigência da queda deste governo e daquele que na Madeira nos enterra quotidianamente no absurdo, há sempre a alternativa de ficar a ver “O País Pergunta” e ouvir um indivíduo cheio de empáfia e de barriga cheia a provar que não passa de um pouco inteligente e inculto governante mas que trata o comum dos portugueses como estúpido, prestando-se ao papel histórico de reduzir a cinzas a nação valente. Ainda temos escolha, sair sábado dia 19 ou seguir para o holocausto. Eu não ficarei em casa!

Isabel Cardoso