Realiza-se no próximo fim de semana um evento desportivo particular, com uma vertente social muito vincada.
Com uma parte da competição a desenvolver-se em sistema de match racing – um contra outro - nas piscinas naturais do Porto Moniz, tal cria um ambiente de proximidade muito forte, não só com todos os envolvidos na competição, como dos espectadores, que têm uma rara oportunidade de assistir a uma competição de prancha à vela deste género.
A outra vertente deste evento, constitui um verdadeiro desafio para os velejadores, já que os obrigará a abandonar as tranquilas águas das piscinas naturais, passando para o mar, numa longa distância ao largo do Concelho do Porto Moniz.
Numa altura que tanto se fala das potencialidades do mar, este evento procura também dar o seu pequeno contributo para essa causa.
Descentralizando a vela regional, dando a conhecer a costa norte numa vertente praticamente inexplorada, promovendo este desporto como veículo de excelência para a criação de uma cultura de mar, que tanta falta nos faz.
Mas é também um grito de alerta! Faz uso de uma infraestrutura natural, que foi magistralmente adaptada para usufruto da população, perfeitamente integrada. Falo das piscinas naturais do Porto Moniz. Por outro lado, o porto de abrigo desta localidade carece de um acesso à água para a náutica de recreio, nomeadamente a vela ligeira. Apesar do enorme potencial para a prática desta modalidade, apenas a prancha à vela consegue efectivamente fazer uso desta infraestrutura, ainda que com condicionalismos.
O mar tem um potencial enorme. Creio que tal é unanimemente aceite. Mas para tirar partido desse potencial, seja do ponto de vista cultural, social ou económico, há que criar as condições para aceder a esse espaço. Projectando cuidadosamente novos acessos ao mar e respectivas protecções, requalificando os existentes e garantindo uma gestão eficiente destes espaços. Numa óptica que respeite o oceano, a sua beleza e a sua força.
João Rodrigues