Luís Verga (Membro da IPMA) Foi a 12 de Outubro de 1838, que da Escócia chegava o casal Kalley ao Funchal. Alem de encontrarem um clima favorável à doença crónica de Sara, descobriram um povo carente, uma sociedade débil e uma economia estéril, não só devido ao modelo feudal na organização da vida socioeconómica em vigor na região, mas também devido às crises alimentares do primeiro quartel do século XIX que lançaram a fome nas populações. Dois anos depois, Dr. Robert Reid Kalley, diplomado em medicina e cirurgia desde 1829, abre um pequeno hospital, implementa várias escolas espalhadas pela região e como missionário protestante, evangeliza.

Num ápice, a missão de Robert Kalley cria grandes legiões de adeptos que se convertiam à igreja protestante vindos do catolicismo, provocando o pânico nas autoridades católicas e nas suas congéneres político-administrativas.

Invocando leis inquisitoriais, as autoridades madeirenses prenderam o missionário e alguns seguidores, enquanto os recém-convertidos eram perseguidos e violentados por grupos radicais. A 8 de Maio de 1845 é fundada secretamente a Igreja Presbiterina do Funchal, ainda hoje ao serviço da população (junto ao jardim municipal). O choque entre os dois grupos aumentou e em 1846, enfrentando ameaças de morte, o casal fugiu da Madeira.

Hoje e passados 175 anos, atravessamos por outros motivos, uma grave e acentuada crise socioeconómica. A Igreja Presbiteriana dirigida agora sem secretismos, apercebe-se rapidamente da drástica evolução das condições de pobreza em que vive grande parte da população.

Os nossos governantes deverão tomar como exemplo o altruísmo de um homem que, com 30 anos de idade, dava a vida em prol dos mais fracos.

Urge ficar atento às promessas eleitorais dos actuais políticos, para podermos reclamar todos os planos de dinamização comunitária e reestruturação educativa, desde a requalificação dos bairros sociais aos fundos de emergência social. Se assim acontecer, estamos perante homens e mulheres, que usam o poder para equilibrar a sociedade e projectar o futuro, à semelhança de Kalley. Se não, que se invoquem as leis para penalizar, mas desta vez com toda a justiça.