Recentemente li um livro brilhante chamado ‘You Are Not So Smart’, de David McRaney, o autor do blog com o mesmo título. Este autor gosta de falar de algo chamado ‘O Preconceito do Sobrevivente’ e exemplifica com a história de Abraham Wald, um estatístico nascido no ano 1902 que salvou muitas vidas durante a Segunda Guerra Mundial.

Nessa altura, as hipóteses de sobrevivência dos tripulantes dos bombardeiros eram quase nulas, devido aos ataques inimigos contra estes aviões. A solução era blindar os aparelhos, mas, por questões de peso, um avião não podia ser completamente blindado como é feito com os tanques.

Os militares estudaram os danos dos aviões que regressavam de combate e concluíram que as zonas com mais buracos de bala estavam localizadas ao longo das asas, em torno da cauda e no centro do corpo. Por isso, deviam blindar os aviões nessas zonas.

Abraham Wald disse que isso não fazia sentido, pois estavam a estudar os aviões que sobreviviam em vez de perceber onde estavam os danos nos bombardeiros que não regressavam.

É habitual vermos ideias replicadas e multiplicadas por outros porque parecem ser bem-sucedidas.

Não é apenas falta de originalidade, é o “Preconceito do Sobrevivente”: a tendência a glorificar o sucesso e ignorar os que não sobreviveram. São como os aviões que conseguiram regressar à base. O verdadeiro segredo do sucesso pode estar escondido na história daqueles projectos, ideias ou negócios que acabaram por não sobreviver.

Roberto Macedo Alves