Esta semana tive uma visita. Um primo meu, holandês, veio à Madeira, para uma semana de férias.
Disse-me, em conversa, que não tinha resistido, porque era quase mais barato que ficar em casa. Depois de me dizer o que tinha pago, achei que ele tinha razão, e pus-me a pensar como é que era possível fazer face aos custos com este tipo de proposta “irrecusável”
Pagou 600 euros por uma semana na Madeira, incluindo voo, hotel e carro, durante os sete dias de estadia. Imagino que mais de um terço tenha sido para o bilhete de avião (a Transavia anda a cobrar cerca de 200 euros), e que o carro dificilmente ficará por menos de 20 euros por dia. O que significa que restam cerca de 260 euros para pagar 7 dias de hotel. Será que estamos mesmo a vender Madeira, a um single, por 35 euros por dia? Será que é sustentável fazer isto? Ou será que estamos a prossegir um modelo errado, que só nos pode ser nefasto?
Infelizmente cada vez mais me inclino para esta hipótese, e cada vez mais me convenço que os responsáveis pelo nosso turismo têm mesmo um pacto suicida.
O poder de compra dos turistas que nos visitam continua a cair, e cada vez gastam menos, a dormir, a comprar e a visitar. Cada vez menos a Madeira me parece capaz de atrair os turistas de que tem necessidade. Sim, porque não precisamos - nem temos capacidade - de muitos turistas.
Precisamos, sim, de bons turistas. Que parecem, pelo menos por estas paragens, uma espécie em extinção.
Resta-me esperar que rapidamente haja para o Governo Regional a mesma revolução a que se assisitiu nas Câmaras, e que possa tomar lugar nos rumos da principal actividade económica regional uma nova equipa capaz de quebrar com um modelo que claramente não srve os nossos interesses como destino. [email protected]
Roberto Loja