Nas minhas duas últimas colaborações neste espaço de opinião entendi ser oportuno, dado o período eleitoral em que nos encontrávamos, afirmar que todos podíamos governar e ser governados («somos todos filhos de Deus») para no artigo seguinte alertar os votantes para a circunstância de ter chegado a hora de poder alternar o ciclo longo de governação que nos fez chegar a uma espécie de impasse sem soluções á vista. E o povo assim o entendeu também, dando um sinal que estava atento á governação regional e autárquica e que não estava a gostar do rumo que as coisas levavam. Pois agora, chegou a hora dos novos responsáveis eleitos demonstrarem que merecem a confiança neles depositada e que sabem tão bem, ou melhor, gerir a coisa pública, no município ou na freguesia, por onde se candidataram e ganharam. Vivi o caso particular do concelho do Porto Moniz onde a oposição, no caso o PS, apresentou uma equipa competente, quer para a Câmara, quer para as diferentes freguesias, e um líder que nunca abandonou a luta pelo seu concelho, apesar de sucessivas derrotas sofridas, porque sempre acreditou que a população mudaria de opinião se pudesse agir livremente e não fosse condicionada por mistificações da realidade e por ameaças aos seus direitos elementares ou á sua liberdade de expressão, como foi o caso. Cabe agora aos novos autarcas encontrar melhores soluções para a saúde, a educação e a cultura, o que não é possível sem trabalho e sem iniciativa (investimento), ou seja, sem uma economia mais dinâmica e geradora de rendimento para os cidadãos e também, para o erário público. No caso do Porto Moniz, é necessário melhorar o rendimento agrícola, através de «pricing» adequado dos produtos postos á venda e de uma diversificação das suas produções em função da procura efectiva ao longo do ano. Por outro lado, o turismo é a actividade que mais valor acrescenta á economia do concelho mas carece de maior rentabilização dos seus activos levando a que se procure captar e reter, o maior tempo possível, os turistas no seu território. Para isso, urge desenvolver atractivos que o diferenciem de outros destinos regionais, em particular o aproveitamento e promoção das suas potencialidades no domínio das «caminhadas» na floresta laurissilva, na prática do canyoning e outros desportos, mais ou menos radicais, na serra e no mar, na oferta de uma gastronomia local genuína, ou seja, inspirada nos pratos e iguarias que se fazem em casa dos naturais da terra desde longa data, entre outros. Por outro lado, numa conjuntura em que rareiam os recursos financeiros á disposição, agravados por uma atitude do Governo Regional que não se manifesta colaborante com os adversários eleitos, é conveniente apelar ao contributo e ao envolvimento das populações em projectos colectivos, quer em termos de acções de voluntariado, quer em termos de alargamento da rede de serviços a prestar aos agentes económicos (subcontratações) ou aos organismos de apoio social, como forma de superar as dificuldades existentes e melhorar o nível de vida das populações abrangidas. É um desafio novo a enfrentar na nossa terra, mas estimulante pela oportunidade que proporciona a todos de participar e influenciar o destino das suas vidas. Deus nos ajude a todos e aos novos eleitos nesta nobre missão!

Nuno Jardim Fernandes