Tom Hogdkinson e Dan Kieran, escritores dedicados ao tema do ócio, apelam no Livro dos Prazeres Inúteis a olhar para as nuvens, pois esta acção permite-nos "uma pausa da nossa correria terrena e oferece-nos um espectáculo sempre em mudança". Pois bem, para nós madeirenses, olhar o céu é também olhar o mar, são espaços contíguos, onde fruímos da acção de sonhar e "desbaratinar", ou seja, de pensarmos o que quisermos. Assim, apela-se hoje a olhar o céu e o mar, pois não esqueçamos a tão citada frase de Fernando Pessoa "eu sou do tamanho do que vejo e não, do tamanho da minha altura", que podemos associar à frase de Carlos Drummond de Andrade "porque eu sou do tamanho daquilo que sinto, que vejo e que faço, não do tamanho que as pessoas enxergam." Não esqueçamos que ao contrário da teoria que uma ilha é uma prisão ou um meteorito perdido no mar, ilha é um espaço de horizonte amplo e longínquo onde só o nosso olhar traz limites. É um espaço que convida a ir e buscar. E continuando na nossa ordem das citações, Cesário Verde diz "se eu não morresse nunca e eternamente buscasse e conseguisse a perfeição das coisas!" Agora pedimos uma honrosa licença a Cesário Verde e fazemos um exercício de variação: olhamos o céu e o mar, eternamente buscamos conseguindo a perfeição das coisas. Morrer nunca! [email protected]

Sara Anjo, Cooperante da "Espaço às Artes - Cultura Ponto Zero"