Gaudêncio Figueira Fui surpreendido no dia 31/12/2012 com a notícia da morte de pessoa amiga que, havia algum tempo, por razões de saúde e idade, vivia no Atalaia Living Care. Soube, no acto de entrega do seu corpo à terra, através das pessoas que lhe eram mais próximas, que a saída atribulada, daquelas instalações, o havia molestado. Aquela morte e, tudo o que ouvira no funeral, gravou-se-me na memória. Passados dias, através da palavra do Sr. D. Teodoro Faria, notável geronte da nossa sociedade, vi, li e ouvi reparos ao comportamento dos poderes públicos relativamente aos mais velhos. Retive a ideia de que, em sua opinião, aquilo que os nossos políticos esperam dos mais velhos é que votem ficando, no quotidiano, mais ou menos esquecidos e entregues à solidão, à doença, numa só palavra, ao esquecimento. Poderei estar enganado, mas não me pareceu que das palavras do Sr. Bispo se pudessem extrair outras conclusões. Apenas o Sr. D. Teodoro, querendo, poderá esclarecer. No dia 21 de Janeiro, no JM - credibilizado junto dos leitores pelo seu vínculo histórico à Igreja sem o qual, face à sua actual qualidade jornalística, emparelharia com o Madeira Livre, Portugal Socialista ou Avante - surgiu um comunicado da SRAS, interpretativo do pensamento do Sr. Bispo. Começa a SRAS por subscrever as palavras do Sr. Bispo emérito. Seguindo-se-lhe um ponto 1, onde os MAUS - Lisboa - são zurzidos por retirarem dinheiro das pensões e no ponto 2 os BONS - o Gov. Reg. - são auto-mimados assim: " o Governo Regional continuará a desenvolver e a reforçar os apoios que desde o início da Autonomia Regional têm sido dados aos nossos idosos, garantindo-lhes uma vida com dignidade e respeito da sociedade. Manteremos a protecção social aos nossos concidadãos, quer estejam no domicilio, quer internados em estabelecimentos de saúde e de acção social". Este ponto 2 é propaganda pura! Aquilo que ocorreu no Atalaia está na memória das pessoas. Elas não esqueceram. Dignidade e respeito? Conhecem o significado das palavras? Teve, a SRAS, o comportamento que todos conhecemos no Atalaia e fala-nos de dignidade e respeito! Ai, se o ridículo matasse… É mau, eu sei, haver "esta treta da liberdade de imprensa". Ela atrapalha todos os saudosos da censura. Dirão muitos diocesanos: ilumine o Espírito Santo os nossos responsáveis para que se apercebam de que nós, fiéis, já não suportamos o silêncio da hierarquia perante tanta mentira a que, involuntariamente, acabamos dando cobertura.