Os números recentes da economia portuguesa relevam sinais de reequilíbrio do valor das exportações face às importações, um dos objectivos traçados nos ajustamentos a levar a cabo por Portugal. Tal evolução terá sido conseguida graças a uma retracção das importações, em resultado da diminuição do nosso poder de compra, mais duma que baseada numa verdadeira fortificação da nossa capacidade exportadora. Ainda assim, talvez seja oportuno reflectir-se em torno dos nossos hábitos de consumo, da preferência que damos e do reconhecimento que atribuímos, em termos de qualidade, às marcas "Made in Portugal" (ou fabricado em Portugal). No leque dos produtos que consumimos habitualmente, e na afectação que fazemos do nosso orçamento familiar, que peso assumem as marcas portuguesas? Reconhecemos qualidade aos produtos produzidos em Portugal? Ou instintivamente consumimos os produtos que gozam de marketings mais fortes, menosprezado o que tão bem sabemos fazer? Há um sem número de marcas portuguesas com enorme sucesso no exterior, com maior peso de vendas em mercados externos do que no mercado interno (temos o exemplo de marcas portuguesas de calçado em mercados como o italiano). Importa reflectirmos em torno da mais valia que constitui para as empresas portuguesas, nos mais diversos sectores, (ou menos valia) apresentarem-se no mercado global como marcas e empresas portuguesas, que reconhecimento e orgulho centramos nas nossas marcas e estudar-se o impacto nos consumidores que as campanhas de marcas portuguesas têm face às marcas estrangeiras, para perante um cenário esperado de futuro aumento do poder de compra não voltarmos ao consumo massivamente importado, levando a novos desequilíbrios.
Rui Gomes Coelho, Economista