Estão prestes a sair as listas de colocação dos professores e já estou a ver situações complicadas de gente que leciona há tanto tempo sem conseguir a efetivação. Menos duas cadeiras no secundário, sem inglês e informática no básico, quantas centenas vão ficar sem trabalho, apesar das garantias sucessivas destes governantes que resolvem fazer férias (estadia low cost) quando eram precisos nos centros de decisão? Os professores fazem mais falta do que os políticos e custam muito menos ao país. São mal pagos e fartam-se de trabalhar (a maioria), não desbaratando o dinheiro dos contribuintes. Não recebem jackpots, não têm adjuntos e assessores e não escolhem os alunos. Aturam os filhos dos outros, educam-nos e muitas vezes levam com pais que nunca o deveriam ter sido. Levam com os génios, os menos sábios e os hiperativos, parece que chamam assim aos reguilas. E ainda chegam a casa cheios de trabalho, gastam o resto do dia à frente do computador a planear aulas, compilar testes e gastam papel e tinteiros do seu bolso. Para não falar do que gastam em telefone porque a escola não tem dinheiro para pagar o seu. Qual o tempo que fica para os "seus"?
No oposto, os políticos conseguiram trabalhar menos e ganhar mais. Se em média um professor ganha menos 200 euros/mês, os políticos aumentaram-se a si próprios em 80 euros e não perderam nenhum privilégio ou regalia. Beneficiam de imunidade e podem atirar cerveja a quem quiserem sem serem presentes no dia seguinte ao juiz, mas não passem ao pé do conservatório pois pode cair-lhe um piano em cima. Não ficam desempregados e quando saem da política recebem mais do que um trabalhador despedido com 20 anos de casa. Acumulam atividades profissionais, são advogados, economistas, empresários. Alguns nem incompatibilidades aceitam, juntam reformas a ordenados de forma insultuosa, ao mesmo tempo que um desempregado perde o subsídio. Fazem negócios ruinosos em nome do povo e metem na falência regiões inteiras, países. E ainda têm procuradores que não encontram corrupção nesses atos, no meio de uma qualquer universidade de verão. Pelo meio os "engraxadores" do costume, a gabar túneis e vias rápidas que levaram a cultura ao mundo rural, quando há mais de 20 anos Seixal, S. Vicente e arredores tinham a maior densidade de licenciados por metro quadrado. Vejam se eles vão todos à herdade e cuidado para que os copos sejam de plástico. Não vá alguém lembrar-se que pode com um barril de cerveja…
E por fim temos o nosso Marítimo que conseguiu o acesso à fase de grupos da liga europa. Com meio estádio e sem reforços, lá estamos nós. Não foi o Zénit, mas vale na mesma. Vale seis jogos na europa e sabe-se lá quanto (€) pode vir mais. Não temos nenhum troféu "Carranza" (temos outros) e não desvalorizamos as conquistas dos rivais troçando dos nomes dos adversários. Conhecemos bem o Paços de Ferreira e ainda temos duas presenças na final da Taça de Portugal, para além do Campeonato de 1926. Por isso e por tanto mais, o Marítimo continua a ser o maior clube da Madeira, quer venham de carro ou de mota.
Paulo Gomes