Vanessa Sousa Não sei se todos vós conhecem este edifício, mas para quem não conhece, passo a descrevê-lo… estou a falar de um enorme edifício, construído a custos controlados, sem acabamentos ou isolamentos de alta qualidade, logo do apartamento onde me encontro consigo ouvir os vizinhos a subir ou descer as escadas, a puxar o autoclismo, a conversar, a aspirar, a ligar o exaustor. As varandas são apenas separadas com vidros e parte delas ficam a descoberto. Como não consegui ainda viver num condomínio fechado, com óptimos acabamos é aqui que vivo. No outro dia recebi alguns amigos cá em casa, como a maior parte de nós fuma, optamos por ficar na varanda a conversar, não estávamos em festa, não tínhamos música nem alta, nem baixa, nem estávamos propriamente aos gritos… passado algum tempo assustamo-nos quando uma das vizinhas nos soltou um berro para que estivéssemos calados. Considero que estávamos a ter uma conversa perfeitamente normal, mas as varandas fazem eco e eu não tenho culpa disso, não desenhei os apartamentos nem escolhi o material com que construi-lo. Até aqui quase tudo bem, pensamos nós… Qual não foi o nosso espanto quando liga-me a minha irmã que ao ir tomar um café ouviu a tal vizinha, em alto e bom som a dizer que não conseguiu dormir nada com o nosso barulho, que batemos garrafas na rua, gritamos, gargalhamos a maior parte do tempo, volto a repetir, no café para todas as pessoas ouvirem, menos as supostas barulhentas. O típico português, tem um problema com alguém mas não o resolve, antes disso tem que falar no café e na vizinhança. Claro que eu não tinha nada que estar para aqui a ter este desabafo, mas sejamos sinceros, é incomodativo ver as pessoas olharem de lado por causa de uma só pessoa com problemas de sono. Mais vos digo, adoro a minha varanda, escolhi ter um apartamento com varanda e desculpem lá, vou continuar a usá-la, a conversar, posso excluir as gargalhadas mas não tenho culpa da dita senhora não poder estar num óptimo condomínio fechado que quase nem se ouve os carros lá fora. Para finalizar o barulho da minha varanda não poderia ter sido assim tão alto, pois tenho duas crianças que dormiram durante todo o tempo como anjos.