Em mais um fim da tarde na capital, toda a gente corre, grita e empurra para entrar dentro do comboio. Alguns dormem no metro, outros estão cansados, outros contentes, outros ainda tristes, aborrecidos e descontentes com o metro que passa ou porque não passa, impacientes porque está calor ou porque está frio, porque têm muito ou nada para fazer. O ser Humano é um animal extremamente complexo e insatisfeito por Natureza e mesmo com a capacidade de conhecer, que lhe é inata, a inteligência tende a ser recalcada e desaproveitada do seu pleno, subestimada pelo Mundo sensorial. A criação de que falava o mês passado não acontece pois a insatisfação crónica prende-nos e se não estamos livres não podemos criar. A liberdade, que não é nada mais do que um estado presente de ausência de rotina é um conceito que não existe na pratica mas que é pura e simplesmente um estado que desejamos possuir (olha o paradoxo). O que determina a liberdade? O tempo? É ter tempo para se fazer o que se quer? E o que se quer? Não é simplesmente o que nos impõem? Uma ideia que é plantada no cérebro e que nem sabemos de onde veio mas que não nasceu ali. Tendemos a ser subestimados, só nos enchem da mesma palha e gostamos porque é o que conhecemos e acabamos por sofrer de uma certa preguiça mental. Acomodamo-nos no conhecimento que nos chega. Há falta de procura, há falta de iniciativa e há falta de criação, de liberdade, de Ser. No outro dia estava numa festa, as pessoas em euforia dançavam ao som da chamada música "pimba", eu deliciada observava a alegria das pessoas quando alguém comentou "…é a música que o povo gosta" outro alguém respondeu: "não, é a música que o povo conhece".

Vânia Fernandes - Cantora