A melhor que ouvi há pouco tempo sobre os políticos é que eles confundem transparente com "traz parente", daí um político que se preze ter parte da família a comer do tacho público. Palavra que isto não tem nada a ver com os familiares dos nossos governantes que proliferam nas secretarias com todo o mérito, nem mesmo com a sobrinha-neta do Catroga recentemente contratada pela fundação EDP. Mas a verdade é que não conheço familiares de políticos com problemas de emprego e há famílias cujo sobrenome está espalhado pela coisa pública. Custa-me a crer que haja dezenas de empresas que tiveram de recorrer ao mesmo cidadão para a sua administração/gestão, quando há por aí tanto licenciado desempregado. Da mesma forma que há reformados a ocupar lugares de tanto jovem capaz, sendo a parte mais grave a acumulação de vencimentos, coisa ignóbil para os tempos que correm austeros. Exemplos hão de fartura, a começar pelos presidentes da república e do governo regional. Comem entrada, prato, sobremesa e digestivo e ainda se engasgam, salvando-se porque há gente que ainda conhece a manobra do Heim…não sei quantos. E salvam-se porque há comandantes a mais, não bombeiros. Se houvesse só um, ficávamos com mais dez bombeiros e tínhamos mudado de presidente. Ficou-me marcada a visita ao Palheiro Ferreiro. Pelo negro do queimado e pelo cheiro que perdurou e ainda perdura nas áreas queimadas. Mas consegui encontrar dois carros de polícia, dois carros dos securitas e agentes dos seguros, já a tirar fotos para complementar relatórios de sinistros, no meio de gente que jogava golfe e tomava um chá. Para os lados de Gaula e arredores, nem vê-los. Havia apenas gente que olhava tristemente as cinzas que substituíram tudo aquilo que perderam. Casas, carros, plantações. Vidas inteiras que se queimaram num ápice, em fogos combatidos pelos desesperados habitantes, à espera dos bombeiros que tardaram. Tardaram porque são poucos e havia outras prioridades, tardaram porque tinham ordens de defender outros fogos mais perigosos. Tardaram porque seria um crime deixar arder a quinta do palheiro, mas já não foi crime deixar arder umas coisinhas dos pobres. E tranca-se a porta depois do roubo, os sabichões engalfinharam-se em cima dos que não limpam os terrenos e não deixam entrar para limpar, afinal incêndios tem havido todos os anos. Como se as expropriações não demonstrassem que o governo e câmaras podem entrar desde que queiram, toca a lavar as mãos e pedir a Lisboa que mande detetives para encontrar os incendiários. E insinua-se que são ataques a governos, a festas partidárias, a ajuntamentos políticos, apregoando asneiradas como aquela do helicóptero só servir para ataque de fogos em planície. Os gastos que um governo e os cidadãos afetados irão ter para repor tudo o que queimou, são superiores a 30 anos de manutenção de meios aéreos para combate a fogos. E seria uma boa altura para ter um relatório comprovativo da efetividade do helicóptero que se pagou durante alguns anos. E esperemos que não chova muito nos próximos tempos. Faltam dez dias para que se acabem os Jogos. Enquanto aqui se distribuem medalhas e comendas, nada trazemos de Londres. Os rodapés das televisões só anunciam eliminações e nada de meias nem finais. Os canais transmitem quase tudo…menos o jogo europeu que o Marítimo fez. É, sem dúvida, mais importante para o país um qualquer jogo amigável dos grandes emblemas. Os nossos atletas, por falta de condições de treino como têm alguns outros países, mesmo conseguindo "feitos históricos" de passagens de rondas, parece que entraram de férias com os deputados. Dois meses até Outubro, aproveitavam e levavam o licenciado Relvas. Parece que vai ter equivalência a atleta de alta competição porque sofre de pé-de-atleta. Aproveitem, vai longe na coçadela.
Paulo Gomes