
Esta semana assistimos a duas barbaridades, em espaços de opinião de diferente dimensão e protagonistas com estatuto muito diferente, mas ambas de uma monstruosidade gritante. Por cá, um Teixeira qualquer, de quem não conheço méritos além da prosa diária num jornal pago com o roubo dos meus impostos para ser distribuído nas ruas, decidiu insultar um cidadão que tem opinião,a defende aos mais variados níveis e assume o que diz. Um cidadão que por acaso é padre, como poderia ser outra coisa qualquer. Pelo menos para mim que considero que as religiões e os seus dogmas estão num plano muito inferior ao do livre raciocínio.
O Teixeira decidiu insultar uma pessoa que não escreve, como ele, ladaínhas de louvor ao poder, homilias diárias de exaltação do senhor que lhe paga. O padre José Luís Rodrigues, com quem concordo em muitas opiniões e discordo noutras, cometeu o crime de lesa-teixeira de criticar quem desgoverna esta terra há mais de 30 anos. O Teixeira chamou-lhe de tudo e até foi ao ponto de dizer que o pensamento e a opinião de um cidadão, por acaso padre, tem de estar subserviente a uma hierarquia qualquer que não cheguei a perceber bem qual é.
Mas se percebi, o Teixeira entende que se a tal hierarquia disser que o criacionismo é verdadeiro - para quem não sabe é aquela história engraçada do Adão e da Eva, com e sem serpente - toda a ciência tem de ser negada, a começar pelo darwinismo. Pior, se a tal hierarquia mandar apelar ao voto num partido, os padres têm de seguir?
Para quem trabalha (?) num jornal que ainda pertence à Diocese mas é o ponta-de-lança da propaganda do regime, o Teixeria ganhava muito em ficar calado. Pelo menos não escrever durante uns tempos, mesmo continuando a ganhar.
A outra barbaridade foi dita por alguém que durante muitos anos era o Einstein da economia, o Cristiano Ronaldo da finança. António Borges, que uns suicidas pretendiam ver como primeiro-ministro, diz que temos de baixar salários para fugir à crise. O mesmo Borges que esteve na Goldman Sachs, um dos responsáveis pela desgraça mundial em que estamos, transitou para o FMI - foi tipo levar o Al Capone para o Ministério Público - e que ganha uns simples 225 mil euros, ao mês, livres de impostos. Este ser teve a lata de dizer que temos de baixar salários. Fico por aqui que só de pensar nisto fico com problemas gástricos.