Não consigo perceber porque é que há gente contra estas últimas campanhas das cadeias de supermercados. Seja dumping ou não, a baixa de preços serve o consumidor mais necessitado e, diga-se, paciente, pois aquele que consegue ficar horas para comprar e horas para pagar, merece bem a recompensa. Só podem ser riquinhos esbanjadores ou idiotas aqueles que não consideram uma boa oportunidade pagar apenas metade do que adquirem. Ou não tiveram tempo e lata para lá ir ou estavam tesos. O mais ridículo é que os que são ricos ou que se fazem de ricos não se coíbem de criticar, mas são os primeiros a pregar calotes. Ao jardineiro que lhe apara a relva, ao pedreiro que lá foi fazer a churrasqueira, ao técnico que cuida da piscina, ao mecânico que fez a revisão da "bomba". Não lhes chegam os convites para os cocktails, os bilhetes para espetáculos, as borlas na bola. Ficam a dever a quem trabalha de sol a sol e ainda têm a lata de pôr defeito para justificar o calote. Andam na boa vida e parece que não sabem que o pobre e o remediado ouvem todos os dias as queixas dos prejudicados. Ou sabem e não se importam, já não é lata, é um bidão. É como a história do governo regional. Anda aqui há mais de trinta anos e fez tudo o que quis. Gastou o que tinha e o que iria ter, esbanjou como pôde nesta última década. Acaba pedindo ajuda para ajustar as contas, depois de as ter escondido. Anda em bolandas para receber o empréstimo porque pediu com uma mão, mas vai batendo com a outra num governo central que é revanchista e desconsidera a Madeira como parte de Portugal. Para Passos e Gaspar, parece que somos outro país. Querem Jardim fora, mas a carneirada com mais de 60 anos ainda mantém o gosto pela laranjada e quem sai lesado, para além do rebanho, são todos os outros que não votaram PSD ou nem votaram. É bem feito, vão comer durinho e enquanto estiver o senhor Cardoso ao volante vão dar muita curva fora de mão. Ponham-no a ele e aos amigos a andar "daqui para fora", vão ver como muda muita coisa. Já o deveriam ter feito há dez anos, dez meses, dez dias. E verão como eles choram quando perdem o poder. Não foram os "ingleses" que exploraram os madeirenses. Até eram os que melhor pagavam, perguntem ao avô. Saibam como foram eles que "criaram" o vinho Madeira, saiba o património que deram à região com obras de arte e belas quintas. E saiba como têm sido espoliados no património e na memória de forma vil e injusta. Sondem os grandes empresários madeirenses, vejam quanto pagam e até como pagam, mesmo beneficiando de apoios que não existiam outrora. E o mais grave é que ganham cá, mas pagam lá, num qualquer paraíso fiscal. Não tiveram pejo nenhum em abandonar o CINM, aquele com quem estamos todos. Exatamente, aquele que fez transbordar o quadro de apoios da União Europeia com um arrogante PIB, responsável pela perda de mais de 500 milhões para a Madeira e que não trouxe mais do que 5 milhões de impostos diretos, mas prometia sessenta ou setenta depois de perder os benefícios fiscais. Estamos quase todos com o Centro Internacional de Negócios, mas seria bom que as grandes empresas da Madeira também estivessem e que explicassem tudo ao Zé.
Paulo Gomes