Juvenal Pereira - Oh, mulher, ao tempo que não te via, senta-te aqui para colocarmos a conversa em dia. E há tanta tristeza para contar que nem sabemos por onde começar. - A propósito de tristeza, sabes o porquê da demissão do presidente da JSD? - Nem me fales dessa história, de coisa tão triste não tenho memória. - Também fiquei com pena…quando vi e ouvi aquela entrevista da despedida chorei que nem uma Madalena! - E viu-se que o rapaz, coitado, estava desmoralizado. Até disse que se afastava mas que um dia voltava mais forte. Ele já é gorduchinho se lhe dá para comer mais,nãolhe gabo a sorte. - Eu não sei o que fazemos tanto de ruim para que Deus nos castigue assim. Uma pessoa tão educada, dinâmica, inteligente, acredita, mulher, que eu via naquele rapaz o nosso futuro presidente. - Sim, mas no caso da Madeira se tornar independente. - E achas mesmo que isso ainda se pode dar? - É a única maneira do nosso povo prosperar. - É caso para duvidar, a não-ser que sejam sempre os mesmos a governar. - Essa agora. Então alguma coisa ia mudar? Achas que alguém falava em independência se não fosse para os presentes e descendentes continuarem na "gerência"? - Tens razão. Às vezes a minha cabeça tem cada apagão. Mudando de assunto, qual é a tua opinião, o teu pensamento, sobre aquela questão do Sr. presidente não ir ao Parlamento? - O Sr. Dr. Alberto João teve toda a razão. O povo não quer "moções de censura", o que o povo quer, mulher, é que se feche aquela Assembleia e punha toda aquela gente na rua! Esta é que é a realidade e o que se ouve pelos quatro cantos da cidade. - Isso é verdade, mas temos que ter a noção que há lá muita gente que trabalha e merece a nossa consideração. - Só que esse trabalho não vale nada enquanto lá dentro estiver uma maioria instalada. - Isso é um facto concreto. Os que trabalham, estão trabalhando para o…boneco! - E como sabes ninguém está lá de graça, o balúrdio que ali se gasta dava para acudir a muita desgraça. - É verdade. Vai por aí uma miséria que, só Deus, Nosso Senhor, é que sabe. -Mas também há muita gente que se pôs bem e que não se importa com ninguém. -Eu já disse a meu marido que o pior que ele fez na vida foi não ter ido para a política. - Eu também já disse isso ao "meu", só que ele é burro e surdo que nem um pneu! - Bem, minha amiga, a nossa conversa já vai comprida, temos que ir á vida. - É verdade. A gente cá não tem a felicidade de ter quem nos vá buscar os "pequenos" à escola, de nos dar almoços e jantares de borla, de ter motorista particular ou bilhetes de avião para viajar. - Pois claro. Resta-nos esperar que isto um dia vá mudar. - Vamos acreditar!