É assim e não há volta a dar. Todos os anos confirmamos que a 'silly season' é uma instituição para a classe política, sobretudo a madeirense. Estabeleceu-se que há um período estival destinado a fazer e dizer mais asneiras do que é habitual e multiplicam-se as notícias sobre as iniciativas mais disparatadas. Com o Outono tende a melhorar um pouco, mas não muito.

Nesse quadro de 'sol na moleirinha' - a versão regional da 'season' - compreendem-se algumas iniciativas, como a criação do tal partido político que nascerá das cinzas da (ou do) FAMA, precisamente no dia 30 de Junho. Aquela associação de amigos, todos do PSD-M, que criou uma coisa com sigla parecida à do grupo separatista-bombista do princípio da democracia, quer concorrer, já, nas legislativas nacionais de 2014. E tem todo o direito.

Embora se possam questionar os objectivos e considerar a iniciativa um acto de arqueologia política, o certo é que, se avançar, vai colocar em causa um dos pontos mais ridículos da Constituição: um País que tem Regiões, não permite a criação de partidos regionais. Um disparate que há muito deveria ter sido corrigido.

A Constituição também proíbe, e aqui bem, os partidos fascistas e estabelece normas gerais a que as forças partidárias deverão obedecer. Era bom que o pessoal da fama desse uma vista de olhos na lei.

Mesmo acreditando que não passará de mais um disparate digno do Bar do Henrique, o anúncio deste novo partido tem muitas vantagens para a classe política madeirense. Desde logo para o PSD que pode despachar alguns militantes inconvenientes e que fazem perder votos, a começar pelo o seu actual líder que até é o sócio número um da associação. Para os outros, é sempre positivo ver o principal partido fragmentado.

Também é interessante ver até que ponto esta brincadeira de Verão terá efeitos na corrida à liderança 'laranja'. Será que os candidatos à sucessão no PSD manterão o mesmo estatuto no FAMA - Partido do Verão?

Já agora, um conselho: mudem de nome. Ter uma sigla parecida com a de uma organização terrorista e convocar os apoiantes com um código bombista, pode ter piada nos grupos de reformados políticos, mas já não pega, porque já poucos se lembram do que foi a FLAMA. Já estamos em 2012, sabiam? Para quem não reparou, já caíu o Muro de Berlim, temos telemóveis, internet e a maioria já sabe ler.