A selecção portuguesa de futebol terá, amanhã, um dos seus maiores desafios: tentar afastar a selecção espanhola, a campeã da Europa e do Mundo. Sem Hélder Postiga, jogador que marcou dois dos quatro golos que nos deu a vitória num jogo particular, Portugal tentará contrariar quem afirma e quem deseja uma final entre a Alemanha e a Espanha. Michel Platini não tem dúvidas, a maioria das casas de apostas também não. Mas quanto mais subestimarem a equipa das quinas melhor será, pois maior poderá ser a surpresa. Fora do relvado fazem-se apostas e discutem-se estratégias. Analisam-se jogos anteriores, elegem-se os melhores e contabiliza-se a eficácia. Até ao início desse embate só se fala das hipóteses que cada uma das equipas tem. No final, festeja-se euforicamente a vitória ou, caso o polvo, a vaca, o coelho e a planta tenham razão, critica-se e lamenta-se a derrota. Até ao final deste campeonato não se ouvirão lamentos pelo subsídio de férias que não chegou, pela redução dos dias de férias e pelas novas condições de remuneração das horas extraordinárias que entrarão em vigor no início do mês de Agosto. O futebol tem disto. O futebol é isto. Vibra e faz vibrar, esquece e faz esquecer mas é só presente e não tem memória. O triunfo de ontem não serve de nada perante a derrota de hoje, que se esquecerá da mesma maneira com o triunfo amanhã. Mas as dificuldades que se sentem por todo o país, por mais que sejam ignoradas não desaparecem. O futebol anestesia o país mas não o cura. Dentro em breve terei saudades destes dias de Euro 2012 pois ao contrário da moeda, este euro não está em crise.
Andreia Micaela Nascimento - Directora de Com. AAUMa