Certamente já deu consigo a olhar para alguém - que considera claramente inepto para o cargo que ocupa - e pensou: como é que este tipo chegou onde chegou? A mim, aconteceu-me muitas vezes. Mas, desde que conheci de perto alguns personagens do nosso enredo político, a questão tomou proporções perturbadoras. Freud não explica tudo. E, neste caso, quem explica é Peter. O Princípio de Peter pode ser resumido no seguinte enunciado: num sistema hierárquico, todo o funcionário tende a ser promovido até ao seu nível de incompetência. Ou seja, as pessoas começam a trabalhar nas posições hierarquicamente inferiores e quando demonstram competência nas tarefas desempenhadas, em regra, são promovidas para graus superiores. Esse processo mantém-se até que atinjam uma posição em que já não são capazes de desenvolver a contento as tarefas. E, como a despromoção não é um mecanismo habitual, as pessoas permanecem nessas posições, em prejuízo da organização a que pertencem. Os consultores têm aplicado este princípio ao tecido empresarial, e o momento em que encontram aquelas pessoas que exemplificam o Princípio de Peter é o momento exacto em que descobrem os problemas na empresa. O exemplo pode, muitas vezes, coincidir com a própria administração! Agora, transpondo o ensinamento para a nossa vida político-administrativa, poderemos entender como é que: - a nossa República tem um Presidente que não presta Cavaco às regiões autónomas; - mantemos um primeiro-ministro que não mede os Passos que dá; - o presidente do Governo Regional da Madeira fez um buraco no Jardim; - e o Representante da República para a Região… bem, foi um Barreto!

Rubina Sequeira - Deputada do PND