“Como é que souberam?” é uma das perguntas que os jornalistas do DIÁRIO mais ouvem por parte dos desgovernados quando ousam denunciar anomalias e atentados à democracia, sempre que partilham verdades incómodas, noticiam factos inimagináveis ou surgem surpreendentemente em actos públicos, mas estranhamente mantidos em segredo.
Se aparecemos nos adros das igrejas, ocupados por ordem da Diocese, para que o poder que nunca pede perdão possa justificar as mentiras que apregoou na última campanha eleitoral, é porque há bufos na presidência, estranhas amizades no governo ou então temos um caso com a catequista que, por sinal, recebeu um SMS a avisar para o ajuntamento da social-democracia em desespero.
Se descobrimos itinerários de viagens hilariantes, encobertas por quem manda, dado o ridículo das razões que as motivam, é porque a nossa vida não nos chega ou porque somos psicopatas, cultivamos ódios, andamos obcecados e fazemos perseguições. Não lhes passa pela cabeça, se é que a têm, que os contribuintes líquidos da União Europeia têm direito a saber onde é gasto o dinheiro que nos roubam, de que forma, com que proveitos e consequências.
Se revelamos relatórios comprometedores, com conteúdos que envergonham quem anda na política de cabeça erguida e faz por ser honesto, a dúvida é se foram obtidos legalmente ou se já incluem o contraditório, como se a opinião do ladrão apanhado em flagrante delito fosse determinante para alterar a pena estipulada ou se a convicção de um doente alterasse o mais dramático e irreversível dos diagnósticos.
Se mostramos fotos de jantares ou almoços da alternativa a Jardim é que beneficiamos de informação de gente que levamos ao colo. Se colocamos em destaque informações úteis para o povo é que andamos de braço dado com quem nos passou os dados. Se denunciamos as dificuldades pelas quais passam os madeirenses menos remediados é porque somos da Madeira Velha, inimiga do desenvolvimento e da paz social, do alcatrão e do betão armado. E se escrevemos é porque não temos jeito para mais nada!
A esta gente que se revolta com as letras que resultam dos gestos e que até se gaba de ter experiência nas lides com jornais, importa recomendar serenidade apesar da revolta crescente, do descalabro das contas e da demência incurável. Tentar adivinhar como é que os jornalistas sabem o que revelam só vos torna mais vulneráveis e mais expostos à pena.
PS: 1. O Marítimo entra hoje na nova temporada futebolística empatado pela conjuntura. Devia entrar a ganhar, mas importa que se diga que a prometida nova regulamentação de apoio ao desporto regional tarda em ser definida pelo Governo de Jardim. O tempo passou e a única certeza que existe é uma ameaça do líder madeirense. O que se sabe é que quem refilar é acusado de “cuspir no prato onde comeu”. Mas convém que os mentores dos modelos de financiamento ao desporto e os decisores dos apoios públicos se definam. Já que não têm respeito pela diversidade, pelo menos honrem as obrigações constitucionais, façam uma boa gestão das prioridades e definam critérios com transparência, rigor e visão.
2. De repente, o representante da Lapónia na Região resolve declarar uma guerra alegadamente santa contra o DIÁRIO só porque nos atrevemos a contabilizar os custos decorrentes da construção de mais de uma dezena de igrejas nos últimos anos. Pelos vistos, para além das luxuosas viagens presidenciais esta é uma matéria que gera incómodos porque reveladora de promiscuidades inexplicáveis entre o poder e a diocese. Contudo, saiba o despesista viajante que o desejo de querer atirar alguns católicos contra os outros é estratégia suja e gasta. Aliás, isso também se vê nos adros das igrejas quando lhe viram costas ou lhe dizem na cara como é que se educa para a verdade!