Marco Freitas Se a quantidade de filhos dependesse dos recursos económicos seria de esperar que o número de filhos fosse mais ou menos proporcional a esses recursos. Mas não é isso que se verifica. Famílias com mais recursos têm menos filhos (contrário ao princípio do 'darwinismo'), enquanto as famílias com menos recursos económicos têm mais filhos. Se perguntarmos a qualquer família o motivo de adoptar o padrão ocidental de terem no máximo dois filhos, as respostas serão quase sempre as mesmas: "- Para quê ter mais filhos?", "-O mundo já tem muita gente!", "-Dois já dão muito trabalho", "-A crise assim obriga!". Mas, digo eu, porque não apenas um filho? Ou então três? Porquê justamente dois? O facto é que o padrão é seguido pela maioria dos casais como se fosse uma lei social. Esta mentalidade ou mentalidade colectiva, embrenhou-se na sociedade sem que a própria assim pensasse ou estivesse consciencializada de tal fenómeno. Este fenómeno é actual (independente da crise económica). Se compararmos esta tendência actual (mentalidade) com a que existia no tempo dos nossos avós, veremos que a situação é oposta: menos recursos e proles maiores (contrário ao princípio do 'darwinismo'). No tempo dos nossos avós a mortalidade infantil era elevada, a maioria dos bebés que nasciam não chegavam a adultos, morriam devido às doenças (morbi-mortalidade). A taxa de mortalidade elevada (no tempo dos nossos avós) obrigava de certa maneira a um equilíbrio, com taxa de natalidade elevada. Hoje, nos tempos mais modernos isso já não acontece, devido em grande parte aos avanços da ciência, nomeadamente das ciências medicas. Hoje praticamente todos os bebés que nascem chegam à fase adulta. Os avanços conseguidos nas últimas décadas pelas ciências médicas permitiu mudar as mentalidades dos progenitores no sentido de investir (alto investimento parental) em proles mais pequenas (um a dois filhos com elevada taxa de sobrevivência), mas com melhor qualidade (proles mais pequenas, sobram mais recursos). A redução no número de filhos é mais uma estratégia (estratégia demográfica - Barbault, 1981). Ao terem menos filhos, canalizam mais recursos na qualidade da educação desses poucos filhos.