Em outubro vamos escolher um novo parlamento regional. Desse parlamento, sairá um governo que gerirá a Região durante os próximos quatro anos. Um pouco como Martin Luther King, também eu tenho um sonho. O meu sonho é que o novo governo seja mais sensível às necessidades dos que nos visitam, que respeitem os seus anseios, e que não desapontem sistematicamente o seu imaginário. Que se não continue a destruir o que de bonito existe na Madeira e no Porto Santo, e que se não continuem a construir novos hotéis: em muitas áreas do Funchal, o peso de construção em altura já é excessivo, e o impacto da construção lidera nos comentários que venho, de forma informal, a recolher. Que se criem pequenas estruturas de apoio aos que nos visitam. Mas não são necessários centros de interpretação megalómanos, construídos a peso de ouro. Alguns lugares de estacionamento legal, uma doca para dois ou três autocarros, e uma casa de banho são suficientes. Que se promovam os nossos mercados, e se criem condições para a existência de ligações aéreas regulares e sustentáveis por si próprias. O meu sonho, a respeito das eleições que se aproximam, é que as pessoas sejam capazes de pensar com a cabeça, sejam capazes de pensar num futuro mais longínquo do que amanhã. Porque tempos complicados se aproximam, o futuro tem de ser visto mais a longo prazo. Sim, porque turista não vota. E porque turista não vota, os madeirenses devem pôr-se na sua pele e imaginar - também - os anseios e vontades de quem nos visita e, em larga escala, nos alimenta.
Roberto Loja