"Muito tem sido dito e escrito, nos últimos tempos, sobre o Porto Santo…", assim começava um meu artigo, publicado neste mesmo espaço, em 19.09.2002 e que, passados 9 anos, sem tirar uma vírgula, serve de introdução ao tema de hoje. Então, era o início da construção do campo de golfe que me levou, em mais uns quantos artigos, a questionar, fundamentadamente, algumas das questões que nessa fase foram abordadas, desmontando certas ilusões, nomeadamente a ideia de o Porto Santo vir a ser um destino de golfe, como é o Algarve. A escassez de água para rega que comprometia e até certo ponto ainda compromete, a rentabilidade do projecto, era uma outra questão que foi sendo resolvida mercê de apoios recebidos através do erário público, graças à Sociedade de Desenvolvimento, um assunto que estará de novo em equação, a curto prazo. Ainda a propósito do meu interesse e comentários, sem nunca questionar a qualidade do projecto, recordo a boa impressão que após jogar golfe em Porto Santo, pela primeira vez, quatro semanas após a sua inauguração, tal como também neste espaço em 25.11.2004, recordo ter escrito não ter "a menor dúvida em afirmar que o Porto Santo se situa entre os melhores, como entre estes se situa também o Santo da Serra". A questão que agora se põe e vai fazendo correr muita tinta, tem que ver com a hotelaria de Porto Santo, ora associada ao "sol e praia" ora ao "golfe". Depois da suspensão do projecto Colombo Resort, foi anunciada uma unidade hoteleira junto ao campo de golfe, supostamente, a cargo da Sociedade de Desenvolvimento e logo desmentida, a que se seguiu a aprovação de um aumento de camas para a Ilha Dourada que, das pouco mais de 2.000 pode ir - segundo a media e não foi desmentido - até às 60.000 camas - um susto…! E, conhecida que é a situação da exploração hoteleira do Porto Santo, com uma oferta que excede largamente a procura, foi há dias, com grande alarde, formalmente apresentado o "Porto Santo Golf Resort" de que, não obstante ainda em projecto e sujeito a múltiplos condicionalismos e dúvidas já foi feito constar estar em negociação, a venda de 12 lotes. Não é sem bastante apreensão que todas estas notícias vão circulando e, conhecido o envolvimento da SDPS, de que, tradicionalmente, há carência de informação sobre a rentabilidade dos projectos em geral e da exploração do golfe, em particular, de que pouco se sabe, nomeadamente, quanto ao passivo, como levantei em notas publicadas no Diário (24.01.2006 e 5.10.2010). A iminência - em paralelo com a extinção das empresas municipais, a nível nacional, em curso - do fim das SD da RAM ou pelo menos da sua fusão em uma só, levanta outras tantas questões que a todos nós diz respeito, conhecida que é a situação crítica que o País e a Madeira atravessam. Ora, a importância da rentabilização de todos estes desenvolvimentos, bem justifica que também de fora da Madeira, se alerte e apele ao bom senso, pela Madeira e todos os Madeirenses.

Francisco Leite Monteiro