Quando António Guterres pagou a dívida da Madeira entregou a caixa de Pandora ao PSD-Madeira. Tinham levado 24 anos (1976-2000) a criar uma dívida de 750 Milhões de Euros, em nome dos madeirenses, dizendo-lhes constantemente que não havia razões para preocupação e quando o Estado aliviou o fardo e assumiu 550 Milhões de Euros da dívida da Madeira, ficando aos nossos ombros a módica quantia de 200 Milhões de Euros - carga essa mais leve, disse também, tomem esta Caixa mas não a abram sob pena de lançarem sobre a Região grandes males. Alberto João Jardim assumiu o compromisso e afirmou que a Madeira "nunca iria voltar a ter uma dívida daquela envergadura", enquanto fosse Presidente do Governo. O Olimpo rejubilou com semelhante afirmação. Cá na Terra, os semi-deuses da oposição e do poder desconfiaram, não estaria Jardim a mentir aos deuses do Olimpo?!! Será que Jardim queria enganar Zeus?!! Distraidamente, o tempo foi passando e em 10 anos as verdadeiras contas vieram ao de cima, o deve e o haver das contas da dívida da Madeira saem da Caixa da Pandora, como uma maldição, resultado da curiosidade de quem abrira a caixa há muito e libertou todos os males sobre os Madeirenses e Portosantenses. Em 2010 a dívida era afinal de 7320 Milhões de Euros. Em cada ano que tinha passado, Jardim tinha ido a banca pedir o equivalente à dívida que tinha levado 24 anos a ser construída. Por cada cêntimo de receitas próprias dos impostos dos madeirenses, o avarento pedia igual quantia à banca e, sem pestanejar, ele seguia em frente a desbaratar como se de coisa sua se tratasse. Perante esta realidade o povo, que teria de pagar esta dívida, continuava alheio ao destino que o esperava, aplaudia Jardim, participava nas suas festas em honra do deus Baco e numa cegueira descontrolada todos marchavam em direcção ao abismo das dificuldades e da miséria. Até aqueles, cuja doutrina ia contra estes falsos deuses, os crentes num só Deus, os mais altos responsáveis da Igreja do verdadeiro Deus participavam nesta orgia financeira, alimentando a propaganda através de um Jornal da Madeira que adorava os falsos deuses, sem que qualquer castigo sobre eles recaísse. Estávamos no ano eleitoral 2011 d.C. As festas em honra ao deus Baco teriam de continuar, pão e circo, antes das eleições porque depois já não há, nem pão, nem circo. Depois só há tragicomédias. Após o acto eleitoral apenas uma triste realidade em que as nossas vidas irão ser pontuadas de tragédia, melodramas, comédia e sátira. Haverá riso, haverá lágrimas, cada um a desempenhar o papel que lhe coube neste teatro da vida. Depois de cair o pano, como sempre, a realidade chegará, nunca antes, mas sempre depois do voto.

Victor Freitas, Deputado do PS-M