Só se conhecerão eventuais alterações ao actual modelo de apoio ao futebol profissional depois das eleições legislativas regionais de Outubro. Até lá vão os presidentes dos clubes, como agora aconteceu com Rui Alves, presidente do C. D. Nacional, se lamentando e lançando reptos, vão outros lançando alvíssaras, e, até, alguma oposição politica regional, porque o tempo assim o requer, vai apontando alternativas puramente demagógicas. O problema do desporto regional é transversal e advém de toda uma política que, sendo no sua génese correcta, foi sofrendo desvios perigosos e sentindo uma preocupante falta de critério, transformando-se numa bola de neve difícil de controlar. Depois tudo anda à volta de dinheiro, ou melhor, do dinheiro que (agora) não há. E, quem estava mal habituado terá muitas mais dificuldades em perceber o tempo em que vive. Há que repensar tudo, com coragem e determinação, filtrando com rigor e apurando apenas o que interessa ser apoiado. Deve o futebol profissional continuar a ser apoiado? Esta uma matéria que urge uma séria reflexão e que, certamente, conhecerá sensibilidades diferentes. Na minha óptica deve, dentro de um quadro previamente estabelecido e em parâmetros estritamente criteriosos, num tempo de crise, pois simplesmente passar uma esponja sobre tudo os que os principais clubes madeirenses já fizeram nacional e internacionalmente, esquecendo mesmo o que os mesmos representam para uma franja importante da população madeirense, será ultrajante para todo esse esforço até agora desenvolvido. Claro que uma pergunta subsiste. Tem a Madeira condições de ter três equipas nas Ligas profissionais? A resposta é não! Então como resolver esta situação? Era suposto que, depois de todos estes anos, com o apoio explicito do governo regional e depois de vários anos de crescimento e maturação, que os clubes tivessem criado condições para praticamente subsistirem sozinhos. Mas, a dividir por dois, numa região pequena e com um tecido empresarial frágil, tudo se torna mais complicado. O Nacional cresceu exponencialmente mas sem base social para manter esta pujança sem o braço amigo do governo regional. O Marítimo perspectivava a sua sustentabilidade futura no novo estádio e tudo está na estaca zero. Assim tudo é mais complicado. Para já, em termos desportivos, para a temporada corrente, temos um Nacional igual ao ano passado, isto é, com algumas fragilidades, e fora da fase de grupos da Liga Europa, quando, muito a exemplo do que aconteceu o ano passado com o Marítimo, tinha tudo para o conseguir. E temos um Marítimo, pelas primeiras imagens transmitidas, fraquinho e com perspectivas sombrias para esta temporada. E todos com situações financeiras difíceis para ultrapassar. E nem tudo é por causa da crise.

Emanuel Rosa, Repórter