Porque a notícia de uma "auditoria" malevolamente intencionada pode colocar em causa a dúvida, a honra e o nome das pessoas, agradeço o espaço que o Diário me dá (porque o Jornal da Madeira não tem dado o contraditório) para repor a verdade, anular insinuações e descomprimir as coronárias que alguns são mestres em destruí-las. O Senhor Presidente do Governo disse em Porto Santo, mais uma vez, que vai pedir uma auditoria à RDP e RTP, nomeadamente porque tem 170 funcionários e "paga e pagava a colaboradores externos" para fazer programas. Como foram pedidas explicações vou apenas referir-me ao período como Director até Abril de 2010, porque pedi a demissão, e não fui afastado, como o Senhor Presidente tem vindo a fazer crer. Podem ser feitas as auditorias que o Senhor Presidente quiser…mas antes dessas, fica desde já a informação que a RTP tem um Gabinete de Auditoria interno permanente e uma Administração que aprova os programas e os orçamentos que, no caso da Madeira, nunca foram ultrapassados ou esgotados. Aliás, uma hora de produção na Madeira é das mais baratas de todos os canais da RTP, atendendo aos baixos preços praticados e ao reduzido orçamento. Por outro lado, para evitar a confusão premeditadamente lançada, a Televisão nunca teve mais de 110 funcionários. A Rádio e a Televisão tiveram 170, mas com a redução encetada em 2009 , tem agora cerca de 140. Os colaboradores são sempre contratados para trabalhos e programas que não podem ser realizados por efetivos do quadro. Foram os casos de, por exemplo, Plantas com História; jardins do Funchal-Raimundo Quintal, História do Funchal, Revolta da Madeira, História dos Transportes-Faria Paulino, Documentário Sissi-Nelson Veríssimo, Artesanato e Etnografia e tradições-Lídia Goes Ferreira, História da formação geológica da Madeira-João Batista, Atlântida, Ilha dos Amores-Maria Aurora, Cá nada-Maria Aurora/Thierry Proença, Cenário Natural-Paulo Santos; Literatura Madeirense-Margarida Falcão, etc ,programas que, numa linha de especialização técnica não poderiam ser feitos apenas por funcionários internos , mas sim com a preciosa colaboração de peritos que fizeram o favor de trabalhar (mal pagos) para a RTP. Alguns com ajuda de suporte publicitário. Registe-se quer estes programas ainda hoje são rentabilizados com repetições a horas diversas. Finalmente, para quem percebe de televisão, sai mais barato encomendar programas externos com patrocínios do que produzir internamente, ocupando meios escassos e esgotados, como operadores de Câmara, editores, assistentes, produtores, realizadores, equipamentos obsoletos, etc. Relativamente aos funcionários, obviamente que trabalhos fora de horário ou em dias de folga, são pagos de forma complementar, como qualquer Empresa de bem. Quando existe liquidez, claro. Desmontando ainda outra falsidade. A vinda de relatores e comentadores desportivos do Continente para jogos do Benfica, Porto e Sporting, é da exclusiva responsabilidade de Lisboa e sempre teve a minha oposição, porque na Madeira há bons profissionais para o efeito. Lisboa tem outro entendimento e a Madeira não manda nas Antenas Nacionais. Finalizando, fui Diretor da RTP de 2005 a Março de 2010. Agora, apenas e só Jornalista, por opção.

Leonel de Freitas