Numa era em que tudo à nossa volta respira os ares do mundo digital, lembrei-me de vos falar do meu "gadget" favorito : O giradiscos. Pode parecer um pouco antiquado ou fora de moda, mas não há leitor de cd ou mp3 que consiga igualar a qualidade sónica de um disco de vinyl, para além disso a historia do "djing", e a história da música de dança começa com o Technics Sl 1200 mk2. No final do ano passado a Panasonic, empresa que fabrica o mítico giradiscos ou "turntable", anunciou aquilo que a comunidade dj mais temia, a produção do giradiscos standard da industria seria cancelada. Para aqueles que como eu cresceram fascinados com a beleza e com a mecânica dos 1200's esta não foi a notícia que desejávamos, mas de alguma forma era já um pouco esperada, os "turntables" ao longo de mais de trinta anos foram presença obrigatória nas cabines de dj, mas infelizmente caíram em desuso devido à quebra nas vendas dos discos de vinyl . É fascinante poder olhar para trás e relembrar que estas poderosas máquinas permitiram manipular discos numa era em que os computadores eram uma miragem, o jamaicano Dj Kool Herc estava em meados da década de setenta, a mostrar uma nova maneira de misturar a "jovens" como Grandmaster Flash e Afrika Bambaataa. Herc usava dois giradiscos e uma mesa de mistura, e com dois discos iguais ia intercalando entre eles para só tocar excertos que gostasse, Little Louie Vega da dupla Masters at Work no início da década de noventa também foi um mestre na manipulação dos "pratos" juntando às músicas que tocava, excertos em acapella (as vozes de uma determinada canção), ou seja, tocava um disco instrumental, num giradiscos e no outro tocava só a voz de uma outra canção, a mistura dos dois resultava num novo tema. Na techno Carl Cox foi um dos nomes que mais sobressaiu no uso de vários giradiscos ao mesmo tempo. Hoje em dia os cdj e os computadores empurraram os "turntables" para as prateleiras, estando convicto que a música que sai pelos altifalantes é mais importante do que propriamente saber se o dj está a usar computadores, cd ou vinyl, sempre que possível gosto, ao encontrar um belo par de Technics numa cabine, de tirar o pó aos discos pois sei que é a única forma a manter viva a verdadeira cultura dj.

Michael C, DJ