Cristina Gonçalves A elaboração do Plano de Urbanização da Frente Mar Campo de Baixo / Ponta da Calheta foi contratualizada entre a Câmara do Porto Santo e um consórcio liderado pela sociedade "Calor Real, LDA", representado por Sílvio Sousa Santos na qualidade de gerente desta. A 1 de Outubro de 2007, através de "Economia e Empresas", o DN-Madeira dava a conhecer a constituição, por Sílvio Santos, de uma empresa chamada "Calor Real, SA" formada pelos mesmos sócios do "Colombo's Resort". A "Calor Real, SA" tinha já comprado um terreno de 250 mil m2 onde pretendia construir um novo resort seguindo a filosofia do "Colombo's" e para o qual teria como parceiro o BPN. Apesar da ligeira alteração da denominação social, não é a mesma sociedade? E os sócios não são os mesmos do "Colombo's Resort"? É verdade que, à data em que foi assinado o contrato de elaboração do plano, as obras do "Colombo's" ainda não tinham parado! Mas o contrato previa que nenhuma das partes incorria em responsabilidade se, por razões de força maior, não cumprisse as obrigações nele assumidas. E razões de força maior não faltavam à Câmara! Uma alteração significativa do contexto económico-financeiro e um empreendimento parado, sem fim à vista. A Câmara permite que um plano com uma área de intervenção tão significativa seja contratualizado com um consórcio liderado por sociedades e empresários comprometidos com o fracasso do "Colombo's Resort"? No Telejornal-Madeira de 23/01/2009 Sílvio Santos explicou a paragem das obras do "Colombo's". "Desapareceram os nossos clientes", "o mercado desapareceu", constatou, avançando como causas a quebra da Libra e as restrições no acesso ao crédito. De então para cá a situação alterou-se? Sim, podemos dizer que se agravou! Não só aqueles factores se mantêm como ainda se somam outros como os programas de austeridade implementados por vários países, incluindo o Reino Unido, geradores de menor confiança na economia e de retracção dos consumidores. Se no final de 2008 deixou de haver mercado para o "Colombo's", onde é que haverá agora mercado para tanto resort? E se, ainda assim, existem empresários que querem investir no Porto Santo, não seria melhor "obrigá-los" a contribuir para a solução do "Colombo's", não permitindo novas unidades até que aquela esteja a funcionar? A Câmara já se conformou com aquele resort fantasma, que aprovou e até considerou de interesse público? Quantos mais planos de urbanização a Câmara aprovar, quantos mais resorts se mostrar disposta a licenciar, menos hipóteses haverá de viabilizar aquele porque terá de dividir com outros um mercado escasso, … se existir de todo! Confesso não compreender a estratégia da Câmara que poderá dotar o Porto Santo de uma colecção de empreendimentos fechados e comprometer outras alternativas futuras. Parece óbvio que não existe uma justificação económica que permita suportar a decisão de aprovar este plano. Não existe agora, nem existirá previsivelmente a médio e longo prazo, porque as tendências futuras que se começam a desenhar não apontam nesse sentido.