Jaime Nunes Senhor primeiro-ministro, as notícias que chegam da Madeira indicam uma coisa mui simples: o dr. Alberto João é uma espécie de Sócrates de tanguinha carnavalesca. Num contexto de forte aperto, num contexto de retracção dos mercados de capital, o dr. Alberto João Jardim achou por bem duplicar a dívida da Madeira. Entre 2005 e 2010, a dívida da Região Autónoma passou de 478 milhões para 963 milhões. Isto, meu caro Passos, tem um nome: uma governação irresponsável, uma governação populista que mete Sócrates a um canto. Alberto João é um Sócrates x 30, 30 anos de governação sultanística. Neste momento, a Madeira é mesmo uma offshore de impunidade. Além de outras coisas, esta monstruosa dívida serve para alimentar vinte e oito direcções regionais (a Madeira é do tamanho do Texas?), cinco institutos, e trinta e três empresas públicas. Como não podia deixar de ser, esta galáxia de empresas acumula prejuízos. E, segundo parece, existem outras coisas notáveis como parques industriais sem uma única empresa e dezassete campos de futebol (não sabia que a Madeira tinha tanto espaço). Dr. Passos, esta gestão é danosa e gozona. Sim, gozona. Porque goza, de facto, com o resto dos portugueses, que têm de suportar a tal transferência de riqueza para a Madeira. Dr. Passos, a autonomia da Madeira não pode ser sinónimo de impunidade da região e de inimputabilidade do senhor da tanga. Os buracos financeiros da Madeira são, neste momento, uma afronta. Portanto, o meu caro primeiro-ministro só tem uma coisa a fazer: meter o dr. Alberto João na ordem. Se for preciso, compre uma guerra com este Sócrates da Madeira. Essa será uma guerra justa. Essa será uma guerra que lhe garantirá o respeito de, vá, 98% dos portugueses. Neste caso, dá mesmo jeito colocar o país antes do partido.