Como há pouco mais de uma semana escrevi, há lugar para todos mas existem uns quantos que, lamentavelmente, teimam em pensar que, na Madeira, só há lugar para eles. Foi assim que se chegou à situação presente, a poucas semanas das eleições regionais que nada de bom antecipam. Em poucas palavras, ainda que de fora mas atento ao que por aqui se passa, é preocupante e de causar arrepios, o futuro que se vislumbra. Jamais ignorando as diversidades políticas que devem respeitar-se, tenho alertado os Madeirenses e apelado ao bom senso para que com serenidade reflictam sobre a verdade e a exequibilidade das propostas que lhes vão sendo apresentadas, cada vez mais afastadas da realidade e do futuro que a todos - e não só a uns quantos - diz respeito e pertence. Às diversidades políticas, corresponderão outras tantas candidaturas e, porque o tempo urge, sem desrespeito pelas outras - até mesmo por aquelas que se não dão ao respeito e optam pela chicana e jogos circenses - há que ter em consideração as mais representativas e que no seu todo correspondem a bastante mais do que três quartos do eleitorado votante, ou sejam as do PSD/M, PS/M e CDS/PP/M. Como tal, é a estes partidos que os Madeirenses devem reclamar a responsabilidade pelo futuro da Madeira, o que parece não ser adequadamente entendido por todos. Ao nível dos social-democratas, cuja liderança ninguém disputa e foi responsável pela obra do que foi feito na Madeira durante as últimas três décadas, era não só a concretização do sinal de renovação que se esperava, mas também, permitindo que novos valores emergissem, a oportunidade desejável que foi desperdiçada quiçá em resultado de habilidosos jogos de interesses. No meio dos socialistas que continuam na travessia de um espaço sem rumo definido, com uma liderança que não convence, são repescadas figuras que o passado recente já mostrou o que valem, desprezando a oportunidade de candidatar um seu membro respeitável, com provas dadas de bom senso e capabilidade ao nível da governação nacional. Quanto aos centristas, não obstante a sua limitada representatividade, dir-se-ia ser dos três, o partido que sem espectáculo, ponderadamente, mais bem vem alertando os Madeirenses para a situação que a Região, tal como todo o País, atravessa e que, como se percebe, estaria à altura de participar numa plataforma de entendimento entre todos, necessária para que a Madeira não caia no mesmo lamaçal em que, como já escrevi, Portugal mergulhou, em resultado da gestão dos últimos governos socialistas. Neste enquadramento, a menos de oito semanas das eleições, são enormes as dúvidas quanto aos resultados que podem perspectivar-se e maiores ainda quanto ao futuro da governação da Região. O adiamento das eleições, por um ou dois meses, com novas listas de candidatos, o que depende do consenso partidário e da aprovação do Presidente da República e talvez do Tribunal Constitucional, seria uma solução. Aqui fica um desafio à ponderação inter-partidária, pela Madeira e todos os Madeirenses.

Francisco Leite Monteiro