O resultado do concurso "Incubadora Criativa 2011" organizado pela Urbanistas Digitais, com apoio do Centro das Artes Global, foi notícia no DIÁRIO. Uma boa notícia e uma informação: existe criatividade para além do défice. Foram recebidos 196 projectos de Artes Plásticas, Banda Desenhada, Dança, Design Gráfico, Fotografia, Literatura, Moda, Música, Teatro e Vídeo. As duas áreas menos participadas (Teatro e Dança) darão lugar a novas vertentes artísticas em 2012. Interessante. Mas o que é verdadeiramente relevante é ver a importância do capital cognitivo enquanto factor de produção. O conhecimento (ao contrário do ouro, da malagueta e do petróleo) não se reduz quando se consome. Podemos mesmo falar de um "excedente cognitivo" tradução livre de Cognitive Surplus, tese defendida por Clay Shirky no livro "Cognitive Surplus: Creativity and Generosity in a Connected Age". Cada um de nós tem uma grande quantidade de conhecimentos acumulados, no entanto, compartilhamos apenas uma pequena parte desse conhecimento e usamos ainda menos o nosso potencial. Às vezes surge-nos uma boa ideia, mas se não pertencemos a um ambiente de criação especializado ou a um espaço colaborativo com capacidade para compreender e usar essa ideia, o mais provável é a mesma ficar pelo sótão dos pensamentos e intenções. Capital parado. Se em determinados contextos a motivação não está no que fazemos, mas no quanto isso nos rende, na economia criativa há uma grande motivação subestimada: o prazer de fazer uma coisa útil, o gosto de contribuir, a adrenalina de algo novo. Parabéns ao projecto "Incubadora Criativa" por criar este espaço de participação e cidadania, facilitando a muitos jovens madeirenses a possibilidade de desenvolver ideias de forma colaborativa, com a satisfação do trabalho competente.
Natércia Xavier, Formadora