Desde há alguns anos que as participações de desportistas e equipas madeirenses ou da Madeira em provas e torneios oficiais no estrangeiro têm sido encaradas como momentos propícios para a divulgação da Madeira como destino turístico. Nalgumas vezes, sempre que interessa minimizar o esforço financeiro do erário público, destaca-se a utilidade dessas deslocações como meio de promoção do arquipélago em países estrangeiros, nomeadamente em cidades europeias. Sou dos que pensam que o desporto pode ser um óptimo veículo de promoção turística, não só nos locais onde eventualmente se desloquem equipas da Madeira, como também oferecendo aos desportistas desses países a possibilidade de treinarem entre nós ou aqui se deslocarem para períodos de estágio, o que aliás já tem acontecido, se bem com pouca frequência. Ocorreu-me abordar esta matéria, porque a equipa de futebol do Clube Desportivo Nacional disputa hoje na cidade de Birmingham, na Inglaterra, um jogo de uma competição europeia com a principal equipa local. Não haja dúvida que se trata de uma boa oportunidade para a Região Autónoma recordar aos ingleses de Birmingham algumas das potencialidades da Madeira, aproveitando a “boleia” de um evento que é bastante mediático. Mas, segundo sei, pouco se passará nesse sentido. Na cidade britânica de 800 mil habitantes dar-se-á importância ao facto da equipa ser portuguesa, o que, naturalmente, é uma verdade, mas é insuficiente para os objectivos de uma região que dá milhões por ano para o desporto profissional, na esperança de uma contra-partida promocional. Vou dizer que não sei bem de quem é a culpa de se perder mais esta oportunidade, esperando que o leitor tire as suas conclusões… Mas a verdade é que não é só no futebol que se perdem oportunidades. Também noutras modalidades, de menor exposição mediática, em que atletas da Madeira percorrem cidades europeias e promovem a sua terra, à custa da carolice de alguns dirigentes que procuram levar propaganda da Região, muitas vezes à custa de muito pedinchar, como nos dizia há pouco tempo o director de um clube da Ponta do Pargo, com craveira internacional no ténis-de-mesa e na patinagem. É tempo de se valorizarem todas as oportunidades que possam contribuir para a promoção turística da Madeira. Embora defenda uma promoção bem trabalhada, profissionalizada e com orçamento adequado à nossa dimensão, quero deixar o meu reparo. Já que desta vez não chegamos a tempo, não seria desapropriado pensar em aproveitar melhor as ocasiões em que nos deslocamos para fora do País para uma maior divulgação da Madeira. Não sugiro que se leve caixotes de prospectos, mas um CD promocional é coisa que se leva bem e os jovens até iriam levá-los de boa vontade. Em tempo de poucos recursos poderia ser mais eficiente que montar um cocktail em determinada cidade, deslocar pessoal técnico e convidar 100 agentes de viagens importantes e aguardar que, pelo menos, metade corresponda ao convite e tenha “pachorra” de nos ouvir. O cliente final pode ser alcançado com algum sucesso nessas acções com os desportistas. Nada de novo. Apenas para lembrar.