
Salgueiro Maia, o maior herói português do século XX, usou uma frase que ficou célebre para explicar, a meia centena de rapazes, o motivo pelo qual iriam arriscar a vida e fazer uma Revolução. "Meus senhores, há diversas modalidades de Estado: Os Estados socialistas, os Estados corporativos e o estado a que isto chegou!", disse. E foi para mudar o estado a que Portugal tinha chegado que avançaram. O resultado foi a democracia em que hoje vivemos, a maior conquista do século passado.
No domingo, essa democracia funcionou. O Povo, aquele que cumpriu o seu dever cívico e honrou a herança democrática e votou, decidiu terminar um ciclo político e iniciar outro. Uma decisão legítima, esperada e até justa e sobre a qual os números não deixaram dúvidas. Agora, é preciso avançar e a 'toque de caixa', em marcha acelerada, porque o que não temos é tempo.
Hoje, receio bem que já sejam poucos os homens do calibre de Salgueiro Maia, sobretudo porque o novo-riquismo intelectual criou gerações de maioria egoísta, mas o "estado a que isto chegou" obriga a tomar decisões, sob pena de um descalabro de dimensões trágicas.
Pedro Passos Coelho vai formar Governo e, ao que tudo indica, terá como parceiro Paulo Portas. Uma reedição da Aliança Democrática, de Sá Carneiro e mais tarde de Durão, que deixou marcas positivas, mas que também conseguiu criar a tal geração de admiradores do seu umbigo que hoje parece estar à rasca. Não parece, está mesmo.
O líder do PSD tem toda a legitimidade para implementar o seu programa, um dos poucos debatidos durante a campanha, mas seria bom que voltasse a ser, um pouco, o Passos Coelho da 'jota', mais solidário e muito menos neo-liberal. Num País de pobres, como é o nosso, as preocupações sociais têm de estar, sempre, à frente na lista de prioridades. De nada valerá diminuir o défice, reduzir as taxas de juro a que os agiotas europeus nos emprestam dinheiro, se aumentarmos, ainda mais, o desemprego, a pobreza e o fosso que separa os mais ricos dos mais desfavorecidos. Cumprir a receita da 'troika' aumentando o número de utentes de todas as 'sopas do Cardoso' deste País, será uma vitória de Pirro a que o Povo também saberá dar resposta. ... P.S. - Pedro Passos Coelho foi um dos melhores lideres da JSD, talvez o melhor. Não merecia o comportamento desta 'jotinha' regional na noite das eleições. Malcriada, provocadora e arruaceira, seguindo os maus exemplos de quem a acompanhou no 'autocarro da vitória' e que nunca conseguiu conviver com a democracia nascida da coragem de alguns.