Neuza Rodrigues Hoje, pela primeira vez em toda a minha vida, tive vergonha" das gentes do meu país, metade da população portuguesa não honrou a luta sangrenta dos nossos antepassados por uma voz activa na governação do nosso Portugal, graças aos corajosos de outrora hoje temos o direito a decidir, mas que raio de povo somos nós? Tendo o direito ao voto esquecemo-nos que também se trata de um dever? Será que se o nosso vizinho decidir sobre a nossa casa nós assumiremos o papel de espectadores? A abstenção abismal nas eleições de hoje (41,10%), não se trata de uma forma de protesto ou revolta á governação socialista na figura do Eng. José Sócrates, retrata sim o conformismo e a falta de bom senso e vontade de quase metade dos portugueses. Presenciamos, a vitória de um candidato que, a meu ver, nem apresentou um plano de acção realista aplicado a situação politica, económica e social que atravessamos, usando apenas de moralismos desnecessários e ultrapassados, retaliando e repicando as demais propostas políticas dos outros partidos, exceptuando as estratégicas coligações de direita, uma campanha focada apenas por um mote: ataque a José Sócrates e o seu governo! Vergonha! Estando o nosso Portugal prestes a ruir, não será a educação uma corda de salvação? Despedimo-nos de um primeiro ministro que sempre apostou neste sector através promoção de bolsas de estudo universitárias (cerca de 16 milhões), renovação e modernização tecnológica das escolas, criação de projectos como programa e-escola e novas oportunidades, este último sendo intitulada de"um escândalo" ou "uma credenciação à ignorância" pelo primeiro ministro eleito. Entregamos a nossa pátria nas mãos de alguém que desrespeita o esforço de qualificação de milhares de portugueses, que por motivos diversos não tiveram oportunidades de instrução? Não será a educação o principal motor de desenvolvimento e progresso de um país? Que fizemos nós?!