O País precisa de uma ruptura. Impunha-se uma viragem global já, neste tempo de crise sistémica. Mas, as eleições em Portugal, no passado dia 5 de Junho, confirmaram o adiamento da profunda transformação indispensável para o País, face ao regime catastrófico do actual sistema predominante. Muitas pessoas, no anseio de mudança, terão votado responsavelmente na expectativa de uma transformação dos valores, eventualmente na procura de uma nova moralidade ou, apenas, porque supuseram que bastaria substituir estilos. Porém, os próximos dias demonstrarão como nestas eleições tudo fico adiado. Prevaleceu o caos. O período de caos intensificar-se-á, embora com outros executantes das políticas da governação. Sem o PS, agora com o PSD e o CDS, os protagonistas diferentes, a mesma matriz sistémica prolongar-se-á no tempo. Atravessaremos uma época de ressaca social e ecológica, que se traduzirá em assimetrias económicas, em clivagens sociais mais profundas, e na materialização de um verdadeiro vulcão social e político que alimentará ressentimentos e revolta. A teoria dos sistemas e a teoria do caos dizem-nos que a evolução dos sistemas complexos transporta sempre uma alternância de estabilidade e de instabilidade, de continuidade e de descontinuidade, de ordem e de caos. Nós estamos numa fase de instabilidade, num período de caos.

Edgar Silva - Deputado do PCP