Parafraseando Charles Chaplin eu diria que, nestes dias, ‘vista de perto, a Madeira é uma tragédia, vista de longe, é uma comédia’…

A Comunicação Social continental entretém-se a comentar com gozo as peripécias da vida política madeirense. A personalidade do líder madeirense dá todos os pretextos para esta abordagem cómica. A caricatura de democracia que a maioria PSD-M alimenta na Madeira fornece o argumentário para o gozo. Foi assim por exemplo com a incrível decisão de um só deputado representar a totalidade do respectivo grupo parlamentar. Ou com os sonhos daquele dirigente desportivo por uma independência para a Madeira, ao mesmo tempo que esclarece que num naufrágio o primeiro a escapar é o comandante…

Mas por vezes na ânsia do gozo a comunicação social nacional deixa que se desenvolva a demagogia pura. Foi assim com a questão dos festejos do final do ano, como se fosse possível pensar que a economia madeirense pudesse prescindir do seu maior cartaz turístico. Há curas que matam o doente. Esse seria o caso de uma austeridade tal que anulasse o potencial económico-turístico da Madeira.

O outro lado da realidade madeirense actual é a tragicomédia do nosso quotidiano. Exemplo é o Programa de Governo, agora apresentado na ALM, que assenta toda a sua introdução na ideia que a Madeira vive uma situação de natureza colonial. Não só não é verdadeiro como é inútil ou mesmo contraproducente para quem tem a necessidade imperiosa de negociar numa base de confiança e responsabilidade. Mas o Governo Regional invoca também no seu programa uma situação de “dívida histórica” querendo dizer que o Continente tem a obrigação de repor um alegado passivo com centenas de anos. Tem algum interesse este argumento? Ganhamos alguma coisa com este tipo de teses? Será que o nosso passivo e as nossas razões de queixa são assim tão diferentes daqueles que têm os transmontanos ou os alentejanos, explorados por um desenvolvimento desigual e centralista?

Trágica é a situação do CINM. Comédia é a atitude daqueles que disseram que tinham soluções para os problemas e depois ajudaram ao afundamento do Centro…

Comédia é a declaração daquele dirigente do PSD-M que vem agora dizer que o Governo da República é “o pior governo de sempre para a Madeira”. Mas não foram os senhores do PSD-M que ajudaram activamente a eleger este governo? Irão, agora, pedir perdão aos madeirenses?

Tragédia é o que aí vem para todos nós. Por isso não se compreende estas deambulações cómicas face a uma situação tão grave. Nem se compreende que quem governa a Madeira queira ‘fazer-se de morto’ a ver se escapa…

Maximiano Martins - Deputado do PS-M