Depois do "achamento" do buraco nas contas, descobriu-se que a Madeira vai despender mais de 3 milhões com iluminações de natal adjudicadas por ajuste directo, o Presidente do Governo viaja em classe executiva, enquanto ministros viajam em económica e assiste-se à "fuga" de empresas do CINM1 para regimes fiscais mais vantajosos. A primeira notícia teve um enorme impacto internacional fruto do trabalho jornalístico da imprensa portuguesa que dedicou páginas e manchetes a descredibilizar o seu próprio país. Convenhamos que no mundo poucos sabem o que é a Madeira mas o facto ecoou nas notícias internacionais em mais um episódio de descredibilização de um dos PIGS 2, no que julgo ser um verdadeiro tiro no pé. Quanto à segunda notícia, não tivesse o Jornal Público um correspondente na Madeira, poder-se-ía desculpar alguma falta de informação. Tendo-o, a Madeira poderá agradecer-lhe mais uma manobra de descredibilização e fomento da imagem de povo gastador de mão estendida. Já o episódio da viagem em executiva parece-me uma medíocre forma de encher jornais e até um ruído eficaz para abafar os rumores que ditam que os cortes nos subsídios de férias e natal não chegarão aos senhores deputados. Finalmente o CINM1: continuamos com um grande deficit de informação clara, esperando contar, em breve, com os esclarecimentos dos "especialistas" que há tanto tempo lutam pelo fim deste regime fiscal. Expliquem-nos e quantifiquem as verdadeiras vantagens do fim do CINM1 e não se refugiem no silêncio habitual do pós batalha de destruição terminada. Julgo que as populações estão cansadas de servir de arma de arremesso para lutas políticas suportadas por subserviências jornalísticas. Como em qualquer profissão, só o rigor e a clareza dos profissionais permitirão a dignificação do trabalho jornalístico. (1- Centro Interna-cional de Negócios da Madeira / 2 - Portugal, Italy, Grece, Spain).
Rui Gomes Coelho - Economista