Esta crise e em particular a crise do euro tem sido uma verdadeira maratona. Tem sido uma espiral descendente sem precedentes no contágio entre países, batendo agora à porta da França e da Alemanha. Urge tomar decisões urgentes para o mercado financeiro, pois, as tomadas até então têm sido lentas e muito desfasadas não surtiram o feito esperado. Já foram feitas inúmeras reuniões e três cimeiras sem qualquer decisão sobre o aumento do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF), e por isso as dúvidas sobre a eficácia deste fundo de resgate têm aumentado. Os mercados financeiros e até algumas das grandes empresas, já iniciaram uma reflexão e avaliação do impacto da eventual ruptura, ou até mesmo do fim do Euro. No meu entender, já se banalizou o tema, i.e., a mera consideração desta possibilidade, quando deveria ser uma impossibilidade. Impensável deveria ser, pois é lamentável desde já considerarmos esse cenário e suas consequências. Com esta atitude estamos a aumentar os riscos através de um efeito de propagação, pois aumentamos as expectativas dessa ocorrência, gerando pânico e aumentando a cautela do mercado e dos investidores. É reconhecível por todos que a Alemanha é hoje o "líder" da Europa. França, tenta parecer que também toma decisões conjuntas e que tem o mesmo peso. Pura ilusão, é mero seguidismo, usado mais para o consumo interno dada a proximidade das eleições presidenciais francesas. Será que este desequilíbrio manter-se-á e será o mais adequado para o fortalecimento da Europa? Deveríamos recordar-nos dos anos 80, onde a Alemanha estava numa situação idêntica, dado que era o Bundesbank quem fixava a política monetária da Europa. Nessa altura Helmut Kohl inteligentemente viu mais longe, considerou importante reduzir o peso e influência da Alemanha, criando um plano monetário comum e permanente. Foi essa visão que deu origem ao Euro. Hoje, creio, que a Alemanha deverá ser um dos maiores interessados na defesa do Euro, não só para garantir a estabilidade da Europa, mas sobretudo para poder salvaguardar os seus activos no estrangeiro. Essa deve ser também a nossa esperança e determinação em nem colocarmos qualquer hipótese de falência do Euro. Digo isto, porque a revista Die Zeit afirmava que Merkel já tem um plano para resgatar o euro definitivamente. Resta-nos aguardar pelas decisões da cimeira.
Ivo Correia - Economista