Joga-se o futuro do Euro. O mesmo é dizer, joga-se o futuro da Europa. Neste momento a moeda Euro é indissociável do projecto da União Europeia. Vivemos nesta altura o pior momento desde a fundação da União. A Europa tem lideranças fracas. A economia europeia está em profunda crise. O projecto europeu sem rumo. O Continente sem Valores. A Europa está de facto em «estado de choque» perante a sua própria incompetência e inércia. No entanto temos, apesar das sombras, de manter-nos optimistas. Ora vejamos: a Europa sempre deu os grandes passos depois de grandes crises. Foi assim com a sua fundação. Foi criada - e não nos devemos esquecer - depois de uma terrível guerra entre os europeus. É por isso que penso que perante a actual crise profunda que se vive irão surgir grandes soluções. Como é evidente o actual momento da Europa é o resultado de erros do passado. A factura chegou agora. Os países europeus não se adaptaram ao novo Mundo económico. Viveram de empréstimos e não da criação de nova riqueza. Os cidadãos alhearam-se da política, entregando os seus destinos nas mãos de governos incompetentes e corruptos. A Europa cedeu a um multiculturalismo que se tornou numa soma igual a zero. Com a agravante de termos posto de lado Valores próprios da Europa. Passámos a ser um Continente de Direitos e de poucos Deveres. Acabámos mal. Não admira. Agora o caminho só pode ser um: recriar a União Europeia. A esta Europa só há duas alternativas: ou mais Europa ou o resurgimento de novas e terríveis ditaduras (uma séria hipótese). No passado os dirigentes europeus, agora recordados erradamente como "grandes líderes", transformaram a União Europeia num autentico «albergue espanhol». Entrou tudo. Entraram países que não tinham as mínimas condições para fazerem parte de uma Comunidade com a exigência da União Europeia. Criou-se o Euro e deixou-se entrar países sem qualquer disciplina orçamental nem condições mínimas para fazerem parte de uma moeda-líder mundial. O resultado está à vista. Que fazer agora? Uma solução poderia ser expulsar imediatamente do Euro todos os países indisciplinados e que não cumprem os compromissos assumidos. No entanto é de colocar a seguinte pergunta: com estes critérios, quem ficaria? É que todos os membros do Euro - exactamente todos! - além de estarem em crise não cumpriram os parâmetros exigidos pelo Euro! Desde a Grécia chegando mesmo à Alemanha. Aliás a Alemanha, como líder da moeda, nunca deveria ter aceitado o regabofe que se transformou a Europa e o Euro. É isso que se espera de um País líder de uma União. Por isso penso que a Europa tem futuro. Para já devemos identificar quais as medidas de forte disciplina orçamental (draconianas, diria eu) que têm de ser adoptadas. Ao mesmo tempo, apostar forte no crescimento económico do continente, através de políticas comuns. Tudo isto através de um governo económico/financeiro comum. Não passa pela cabeça de ninguém ter uma moeda comum com 17 políticas diferentes. Só depois - talvez em 2015 - é que se poderá chegar à hora da verdade e saber quem fica ou quem sai do Euro e do Projecto europeu. Três anos são suficientes para vermos quais são os países que têm de facto condições para fazerem parte de um dos blocos económicos mais importantes e decisivos do Mundo. Só temos a ganhar - todos - se o Projecto europeu for liderado por economias fortes e disciplinadas. Aliás o grande erro recente da Europa foi considerar todos os países iguais. Não são. Da Europa podem fazer parte muitos países mas nem todos podem estar à frente do projecto europeu.

Paulo Neves