A lógica dos eleitos, legítima, apesar de liquidar ambições, direitos adquiridos e qualidade de vida, desvia-se frequentemente dos sonhos dos eleitores e das promessas sedutoras, propangadeadas insistentemente durante o tempo de campanha.

As palavras carinhosas e posturas dialogantes deram lugar às ordens e exigências, à nacionalização dos sacrifícios que têm que ser feitos por todos. Não há volta a dar: enquanto houver emergência, de durabilidade garantida, ninguém está dispensado, por muito que alegue especificidade, “discriminação positiva” e diferenciação ou até acene com a independência e jure resistência às imposições.

A intransigência de quem toma decisões políticas funciona assim como mais um dos denominados “custos de contexto” da nossa economia. Não há margem para cedências, mau grado as perspectivas de estragos de dimensão imprevisível. Os alertas não comovem quem manda, ou melhor, quem está obrigado a cumprir com as regras ditadas pa 'troika'.

O Governo da República e os partidos que o sustentam não aceitam desviar-se do compromisso internacional que deixa o País em 'estado de sítio'. Se dúvidas houvesse, o recente Congresso da APAVT dissipou-as. Os exemplos de teimosia mutiplicam-se.

O agravamento fiscal é um dos pontos de conflito. As novas portagens é outro. Os empresários garantem ser uma falácia o Estado dizer que defende as exportações quando ataca o Turismo de diversas formas. Por exemplo, a APAVT recomendou ao Governo que "considere um período de carência" no aumento de impostos e colocação de portagens até ao fim da época de 2012. Uma medida que consta das recomendações finais do 37.º Congresso Nacional da associção e onde se lê que as empresas "não podem suportar os custos acrescidos que aumentos de impostos e aumentos de portagens, sem um período de adaptação, lhes acarretam". De imediato, à margem do evento, o secretário de Estado adjunto da Economia, António Almeida Henriques, respondeu que isso seria "muito difícil", uma vez que "o país não está em condições de poder recuar neste conjunto de decisões", e declarou que não encara esse cenário como viável.

No mundo dos negócios, cada vez menos rentáveis e competitivos, já se percebeu que a República não tem disponibilidade para negociar incertezas e ajustar procedimentos. Estranha-se que por cá, mas no patamar político, há quem não tenha entendido ainda que as excepções, por serem custos, sairam do contencioso para o balcão das cobranças compulsivas. Chega de fingimento, dessa lata regional que encarece o futuro.