O Natal a aproximar-se e muita gente a sentir-se triste e frustrada por não ser possível manter o nível de consumo e festividade habitual nos últimos anos. Está na altura de pararmos para reflectir no sentido do Natal, carregado de presentes e comemorações por tudo e por nada. Aquela azáfama das listas, da marcação incessante de almoços e jantares, das actividades variadas para crianças e adultos… Será tudo isto realmente importante? Para a economia acredito que sim,.e para nós, para os nossos filhos? Para o futuro do país e da humanidade? Recordo Natais em que as crianças empilhavam presentes, preocupadas com o número e não com o conteúdo. A maioria nem eram abertos, apenas contabilizados. Outras agarravam o mais desejado e nem reparavam nos restantes, enquanto os adultos se esforçavam por insistir no prazer da abundância. Os adultos já nem sabiam o que oferecer uns aos outros. Mas a obrigação pesava, tinha que ser, com ou sem inspiração ou criatividade. Entrar na loja, olhar a lista e comprar. Quem recebia, ora ficava agradado ora fingia gostar e mais tarde, feita a selecção, logo decidia o que fazer com o excedente. Nas mesas abundava comida, receitas que de tradição já tinham muito pouco. Era mais um pouco de tudo. A ostentação era sinal de bem viver, de bem receber. Saltar de casa em casa, não ofender quem convidava, comer e beber em demasia, uma atitude generalizada. Quem não participava sentia-se deslocado. Mesmo quando a saúde não permitia o importante era participar activamente, pois no inicio do ano os médicos resolveriam os problemas! Pois bem, para trás ficou a magia, o pai natal que nunca ninguém via, só lhe sentia os passos. O presente único e especial que durante um ano inteiro se desejou e revisitou em sonhos. A ceia em família cuidada e acarinhada pelos cheiros e sabores. A árvore e o presépio tantas vezes artesanais construídos em família, onde todos participavam sem medo de estragar. O calor do dia seguinte, o tempo investido naquele presente e nas conversas de família à volta da mesa. Nem tudo era fácil nem isento de tristeza. Mas o valor dos afectos e o investimento no que realmente se desejava, fazia do Natal um momento mágico e intenso. O Natal era por si só o presente. Conto de Natal Era uma história colorida onde tudo parecia belo, havia o verde o azul e o amarelo. Voavam papagaios e balões sem fim e no cimo da torre, mesmo juntinho ao ninho da cegonha, pousou um, sim! Eu vi-o todo o dia lá parado, há noite ficou azulado, vermelho, alaranjado, mas continuou sentado. Talvez a aguardar por mim! Ele sabia que era o meu papagaio preferido, o meu primeiro desejo de Natal que consigo recordar. Como brilharam os meus olhos no momento em que o vi, as suas cores pareciam estrelas e o ruído que fazia ao vento lembrava a nota si! Já tinha passado muito tempo, talvez por isso não fiquei triste quando o vi partir, talvez um pouco inquieto, sem saber o que pensar. Mas a certeza de que nunca mais o largaria do meu coração tornava a sua partida mais do que um adeus, uma memória carregada de emoção. FELIZ NATAL!

Manuela Parente - Psicóloga