Afirmar que não se está surpreendido pelo corte do rating Português pela Fitch, concordo. O que realmente me surpreendia seria ver alguém ficar surpreendido. Mas dizer que Portugal está no caminho certo para salvar a sua economia, já é um preciso ter alguma ousadia. Agora, juntar as duas afirmações anteriores e colocá-las na boca de uma só pessoa no espaço de 20 segundos, é maldade. Pior ainda, se essa pessoa for o Presidente da Comissão Europeia. Deixando esse facto à parte, penso que seja de maior importância comentar a situação da Hungria, que deu início a negociações com o FMI. Apesar de o seu governo afirmar, segundo a agência espanhola EFE, que não se trata de um empréstimo, mas sim de um acordo para segurar os investimentos na Hungria, a verdade é que as agências Standard & Poor's e Fitch colocaram a notação financeira da Hungria em perspectiva negativa. O que se coloca aqui em evidência é que a Hungria é mais um país da União Europeia que se vê em apuros após Irlanda, Grécia, Portugal, e ao que tudo indica, os próximos serão Espanha, Itália e Bélgica (a agência Standard & Poor's também já colocou a notação financeira da Bélgica em perspectiva negativa). Outro factor também bastante importante de referir é que, a Hungria não está no Euro, ou seja, a crise que está instalada na zona Euro está a afectar os países que não estão na zona Euro e que fazem parte da União Europeia. Todos estes acontecimentos levam-nos a crer que esta União Europeia está à deriva no "mar financeiro" e que cada vez mais os seus membros parecem querer "saltar do barco". Está mais que na hora de fazer uma chamada de atenção ao Senhor Presidente da Comissão Europeia para parar de dizer disparates e não deixar este "barco ir ao fundo". Espero é que o Senhor Presidente da Comissão Europeia não seja o primeiro a "saltar borda fora"...

João Baptista - Colaborador da Associação Académica da UMa