M. F. A. Uma folha em branco à espera para ser preenchida… Hoje ocorreu-me escrever sobre a falta de afetos e o medo que as pessoas têm deles. No meu dia-a-dia sinto que existe gente cada vez mais egocêntrica e vazia, que tem receio de demonstrar os seus sentimentos, de sentirem o outro. Que sociedade animal é esta que andamos a criar? Ninguém se preocupa com ninguém, nada é como antes, quando tudo se fazia para ajudar o outro sem esperar nada em troca. Atualmente vivemos no nosso buraco existencial cada vez mais desprovidos de vida e de sentir. Quantas vezes gostaria de voltar atrás, de não estar nesta época que não é a minha. Porque não quero estar aqui, acho tudo tão frio, tão materialista. Ninguém tem tempo para ninguém, é tudo a despachar, o dinheiro e a ganância tomaram conta deste mundo e na caixa de Pandora até a esperança desapareceu. Já não creio na bondade, na inocência nem na sinceridade. Só acredito no Amor. Mas só naquele das crianças, o mais inocente e puro que pode haver. O amor entre o homem e a mulher está a extinguir-se. É tudo feito de horas contadas, minutos e segundos. As pessoas têm medo de amar, nem sabem já o que isso é. E assim vamos vivendo enganados, pensando que o trabalho e os bens materiais podem resolver isto tudo. Mas que tolo engano. Porque quando a noite chega estamos sós. Completamente sós, entregues a quatro paredes e é aí que nos damos conta do quanto tristes somos porque olhamos ao nosso redor e não está lá ninguém para nos amparar e proteger... quedos e mudos nesta angústia dilacerante que é a solidão. "Ainda que eu fale todas as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor sou como o bronze que soa ou o sino que retine… mesmo que tivesse toda a fé, a ponto de transportar montanhas, se não tiver amor, não serei nada." Apóstolo Paulo.