José Luís Reis Quando D. Afonso Henriques teve a triste ideia de «bater na mãe» não podia imaginar que estaria a construir um futuro país cuja espécie dominante seriam as aves de rapina. O território que hoje é Portugal foi, ao longo dos tempos, alvo de invasões perpetuadas por povos dos mais díspares credos e culturas. Eis que chegámos aos nossos dias, imbuídos num espírito de esperança, na prosperidade e justiça social, com a implantação da democracia após os negros anos de ditadura imposta pelo decrépito regime salazarista. Inesperadamente, fomos vítimas da invasão dos abutres que, ao longo dos anos, se têm alimentado a custo do nosso trabalho e, por que não dizê-lo, da nossa boa fé. Os portugueses são pacientes, compreensivos, quiçá ingénuos e pouco ambiciosos. Tudo isso são trunfos usados por esses ignóbeis embusteiros e que muito tem contribuído para as suas mordomias. Por fim, somos vítimas das ambições desmedidas e dos roubos desses ladrões (devemos chamar esses abutres pelos seus nomes), pondo em risco a soberania nacional. Ao se assumirem salvadores da Pátria, nada mais fazem do que continuarem a defender os seus interesses, em detrimento daqueles que, de forma enganosa, neles depositaram o seu voto de confiança. As leis por eles impostas são desprovidas do mínimo sentido humanístico que se pode e deve exigir num Estado de Direito. O espectro da fome paira sobre os portugueses. A degradação social é mais do que eminente. As famílias deste país correm o risco de perderem o que há de mais elementar, ou seja, educar e alimentar os seus filhos para que no futuro tenhamos uma sociedade culta e sadia. Os abutres passam ao lado destes factos. Os seus únicos objectivos são compensarem a má governação, aliada aos roubos que fazem sem olharem a meios. É imperioso um combate pacífico a esta praga, por forma a não se propagar a futuras gerações. Temos pela frente essa árdua e nobre tarefa. É de vital importância pormos de parte toda e qualquer ideologia político-partidária, em prol de uma sociedade que se deseja mais justa e solidária. Sem querer entrar em demagogias saudosistas, julgo ser adequado aos nossos tempos: O POVO É QUEM MAIS ORDENA!