Nas últimas décadas a produtividade em Portugal cresceu a taxas irrisórias ou estagnou, em parte fruto das alterações estruturais ocorridas na economia, passando-se para uma economia cada vez menos baseada na indústria, com um sector dos serviços com uma produtividade baixa. Portugal tem de encontrar os apregoados incrementos de produtividade. Pergunta-se: como? Uma vez mais é uma missão de todos: dos trabalhadores que deverão colocar de lado a cómoda postura do "desmotivado" fruto dos cortes salariais e arregaçar mangas provando o carácter meritório da remuneração adequada ao seu desempenho, empenhando-se no cumprimento das tarefas que lhe são confiadas e inconformando-se com posturas do tipo "alguém há-de fazer"; das chefias que terão de constituir exemplos de dedicação e trabalho para os seus subordinados, legitimando a sua autoridade mediante cumprimento exemplar das suas obrigações, aplicando de forma rigorosa a avaliação de desempenho, partilhando objectivos e metas, tendo presente quão injusta é a avaliação baseada em simpatias ou na simplista uniformidade; dos sindicatos que ao invés de instigarem movimentos reivindicativos (do pós-ditadura) deverão pedagogicamente auxiliar os profissionais a ultrapassar as injustiças sem agitar os fantasmas do "poder exploratório do patronato"; dos empregadores que deverão reconhecer os bons colaboradores, incentivar o seu desempenho, multiplicando-o por toda a organização como se de uma paga se tratasse, visando sempre a prosperidade das suas organizações, o reinvestimento no crescimento e a maior adequação remuneratória à produtividade que se espera venha a evoluir; das autoridades laborais que terão de sensibilizar os trabalhadores para esta missão colectiva ao invés de assumirem posturas sindicalistas. Provemos que somos capazes!

Rui Gomes Coelho, Economista