Já se conhece, finalmente, a composição do governo que, ao contrário do que seria expectável, em termos da renovação que se impunha - e a expectativa do longo silêncio de todo um mês de gestação, até alimentou - se gorou. Foram muitas as vezes que, ao longo deste ano que, rapidamente, se aproxima do fim, de "fora da Madeira", em apontamentos publicados no Diário, mais não fiz do que continuar a fazer chover no molhado, alertando para a situação a que a RAM chegou e que muito se ficou a dever à confusão gerada à volta das contas públicas e desmandos financeiros. Não vou, certamente, repetir o que é do conhecimento de todos, parecendo-me sensato aguardar que o novo governo - ou, o que quase dir-se-ia ser, o anterior "recauchutado" - deixe perceber o quê e como se propõe fazer para, ainda em tempo, corrigir erros e evitar a ameaça que paira de sermos arrastados para o "lamaçal" que espreita. Divulgado que foi há pouco mais de um mês pela Inspecção-Geral de Finanças, o relatório subsequente ao diagnóstico à situação financeira da RAM, realizado por determinação do Ministro das Finanças, que relevou como uma das áreas mais críticas da anterior governação, a das empresas de desenvolvimento regional, veio já a público ser propósito do novo governo, promover o seu agrupamento numa 'holding' sob a tutela da Secretaria Regional do Plano e Finanças, como tal deixando a tutela da Vice-presidência, o que é um primeiro passo, sem dúvida, mas que não bastará. A hipótese da eliminação das sociedades de desenvolvimento deverá como tal ser equacionada, pelo menos em relação a algumas delas e, em particular à SD do Porto Santo, cuja evolução tenho acompanhado mais de perto, pelo interesse que o Porto Santo merece. Efectivamente, desde 2002 - estava a construção do campo de golfe no princípio - venho alertando para os problemas que estão bem à vista e se traduzem numa situação de insolvência ou quase que tende a agravar-se. Era a rentabilidade do projecto que estava em causa e continua a estar, uma questão que foi sendo "resolvida" mercê de apoios recebidos através do erário público, graças à SD. Mais recentemente, conhecida que é a situação da exploração hoteleira do Porto Santo, com uma oferta que excede largamente a procura, uma vez mais, apareceu a SD envolvida no lançamento de um projecto - o "Porto Santo Golf Resort" - tudo isso com grande alarde e sempre sem suficiente informação sobre a rentabilidade dos projectos. O relatório da Inspecção-geral de Finanças, fez alguma luz, salientando que as SD em geral «…não dispõem de uma base empresarial sustentável…» destacando-se a SD de Porto Santo, pelo enorme passivo, o que sugere ponderação. Sem especular, no início do novo ciclo governativo, há que aguardar a posse do governo e a divulgação do seu Programa.

Francisco Leite Monteiro