Desde o tão longínquo tempo de D. João V, Portugal nunca soube gerir as suas receitas acabando sempre por escolher os piores destinos às suas riquezas. Tantas foram as vezes em que a família real era o principal devedor do erário público tendo o povo que sofrer as consequências. Em muitos momentos brilhar aos olhos da Europa era mais importante que reluzir para o próprio povo. Passados cem anos de república, sinceramente, não vejo lá grande diferença. O governo democrático e o direito ao voto foram privilégios que foram ganhos com muito esforço mas para muitos (vendo pelos resultados da abstenção nas últimas eleições: 42,55%!) parece não ter qualquer valor. Tal como os reis de outrora, os reis de hoje em dia aparecem cada vez mais desacreditados, sem qualquer tipo de força nem acções que pareçam voltar mudar o rumo do país. O corte em dois vencimentos é uma das medidas do governo nacional (domesticado pela Troika é certo) para recuperar o país. Miguel Relvas, ministro-adjunto e dos Assuntos Parlamentares, disse que "muitos países da UE só têm 12 vencimentos (…) cito a Holanda, a Noruega (…) ". A Holanda possuí uma das menores taxas de desemprego na Europa. E não podemos comparar o nível de vida dos noruegueses com o nosso visto que os seus ganhos são bem superiores. São então pontos de referência para nós. Mas as medidas que estamos a aplicar não são semelhantes às que aplicaram à Grécia? Iremos todos ter o mesmo destino? Parece que descobriram que Portugal pode ficar rico com o investimento no sector mineiro. Do que estamos à espera?

Rúben Castro, Colaborador da Associação Académica da UMa