Pedro M. F. Freitas O primeiro-ministro George Papandreou conseguiu, com uma só palavra, abalar todo o continente europeu. Uma eventual saída da Grécia do euro deitaria por terra toda uma utopia de partilha europeia de soberanias em prol de uma soberania comum. Numa tentativa desacerbada, aos olhos de alguns, de tentar devolver o poder de decisão aos cidadãos gregos, foi alvo de críticas dos mais importantes chefes de Estado europeus, da oposição grega e, dos seus próprios cidadãos. Eu, por outro lado, concordei na altura com a elaboração de um referendo. Não de um referendo que perguntasse se os gregos estariam receptivos, ou não, a mais medidas de austeridade. Isto porque, o que está em causa é a continuidade daquela nação na moeda única ou, quiçá, na União Europeia. Não nos esqueçamos que a UE ainda está em construção e, numa altura em que a impraticabilidade do seu principal objectivo torna-se cada vez mais notória, quem somos nós para censurar aqueles que a vêem como um eventual falhanço? Uma vez que há uns meses atrás assistimos a uma falta de sensibilidade e companheirismo tremendo aquando da recusa por parte de alguns países em nos emprestar dinheiro, porque razão havemos de nos querer infiltrar ainda mais numa comunidade que não põe em prática os valores que defende? Não critiquem aqueles que ainda nos querem dar a última palavra pois, da próxima vez que forem renovar o B.I, poderá estar lá escrito o seguinte "Nacionalidade: Europeia".. quer queiram, quer não.